Quais os cuidados que se deve ter com uma criança que nasce com a Síndrome de Down/T21?

Essa criança precisa de cuidados médicos iguais e maiores que outras crianças. Iguais, porque é uma criança, como qualquer outra. Maiores, porque as pessoas com SD/T21 têm algumas particularidades, entre as quais a mais preocupante é uma cardiopatia. Metade dessas crianças apresentam problemas cardiológicos. Se o pediatra dessa criança, ao ouvir seu coração, achar que está tudo bem; se um cardiologista a examinar e disser que não há problemas, mesmo assim o meu conselho aos pais é que a criança seja levada a fazer um exame que documente isso: e o melhor que temos hoje se chama ecodoplercardiografia bidimensional colorida – independentemente de indicação médica ou mesmo de capacitação médica. Se esse exame evidenciar normalidade, só aí é possível tranquilizar-se quanto a disfunções anatômicas cardíacas.
Essa, porém, é uma criança com dificuldade de aprendizado. Para que ela tenha a melhor qualidade de vida possível, é importante avaliar sua capacitação para o aprendizado, como a acuidade auditiva e acuidade visual. Não é raro um comprometimento nessas áreas. Na área oftalmológica há mesmo a possibilidade, maior que a usual, da existência de catarata ou glaucoma. Com grande frequência essas são crianças que apresentam estrabismo e vícios de refração, como miopia e hipermetropia. Se o diagnóstico da Síndrome for feito bem cedo, sua qualidade de vida poderá ser bastante melhorada, com os cuidados especiais. Elas nuca deixarão de ser uma pessoa com Síndrome de Down/T21, sua capacidade intelectual será sempre menor, mas elas poderão ter uma vida melhor.

Além de cuidados médicos, uma dieta adequada é muito importante, e a melhor dieta é a que favorece a mobilidade intestinal. É preciso, portanto, evitar os tubérculos, como batata, cenoura, mandioquinha, que, além de prenderem o intestino, engordam – e a hipotonia, somada à obesidade, torna tudo mais difícil.
A amamentação com o leite materno, se é importante para qualquer criança, para as pessoas com SD/T21 é fundamental. Isso porque melhora sua capacitação fono-deglutatória futura, melhora a mandíbula, favorece a deglutição e a sucção – o que leva mais tarde a uma melhor comunicação verbal, dado importantíssimo, uma vez que uma de suas características é a linguagem comprometida.

Prof. Dr. Zan Mustacchi – CEPEC-SP 

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