Escritora conta como o irmão com Down foi banido da convivência familiar

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A primeira vez que vi meu irmão, Jimmy, ele tinha 60 anos de idade, e eu estava em pé ao lado de sua cama no hospital na cidade de Dunkirk, Nova York. Ele estava entubado com pneumonia intratável e dormindo por causa da medicação, o pouco cabelo ruivo diferia muito do resto da minha família morena. A identificação na pulseira dava a data de nascimento: 26 de junho de 1953, exatamente 18 meses depois do meu. Até aquele momento, eu não sabia o dia de seu aniversário.

Dez dias antes, eu estava trabalhando em Nova York quando o telefone tocou. Uma voz disse: “Aqui é a Wanda, do asilo do seu irmão Jimmy”. Lágrimas rolaram imediatamente, embora eu nem imaginasse por que ela estava ligando.
Jimmy era o terceiro dos quatro filhos dos meus pais, com uma grande incapacidade provocada pela síndrome de Down. “Mandem-no embora e se esqueçam dele”, foi o conselho que receberam.
Na época, havia uma ideia amplamente disseminada que ter um filho deficiente –ou com qualquer alteração genética– era um julgamento de Deus. Os pais devem ter feito algo terrível para merecerem tal castigo. O diretor da minha escola no ensino médio alertou os estudantes contra o sexo antes do casamento, explicando que ele assim procedera uma vez, resultando numa criança que era um “vegetal”.
Meu pai era radiologista em nossa cidadezinha, onde todos os médicos eram amigos. Ele uma vez contou à minha irmã que estava na sala de parto quando Jimmy nasceu, e o obstetra, sabendo que algo estava errado, indicara sem precisar falar que poderia se livrar do neném fazendo uma leve pressão em seu pescoço. A oferta foi declinada.
Assim, Jimmy foi mandado embora, tornando-se responsabilidade do Estado. Meu conhecimento acerca do meu irmão se resumia basicamente a um retrato tirado na instituição mostrando um garotinho com olhos puxados no colo do meu pai. Minhas irmãs e eu ouvíamos respostas azedas dos nossos pais, que diziam para não perguntarmos sobre ele.
Um dia, quando lhe perguntaram como estava o Jimmy, meu pai respondeu: “Como está o Jimmy? Ele é um idiota!”. Minha mãe estava vendo um documentário na televisão sobre crianças com retardos mentais, chorando. Meu pai, após uma discussão furiosa com minha mãe, teve um colapso nervoso e ficou se perguntando: “O que eu fiz para merecer um filho assim?”.
Quando adulta, conheci outras pessoas com irmãos com deficiência mental. Às vezes, eu falava sobre o Jimmy. “Você o visita?”, perguntavam. Eu dizia que não e, após um momento estranho, voltava a evitar pensar nele, do mesmo jeito que se evita bater em uma ferida dolorosa. Eu acreditava que ele seria assustador demais até de se olhar, um “vegetal” em uma existência institucionalizada, sombria e sem sentido.
Eu nunca tinha visto meu irmão e agora uma pessoa chamada Wanda me dizia que ele estava gravemente doente, que ela tomava conta dele há 20 anos e que o amava. Eu tinha ignorado meu irmão a vida inteira. Agora, estava devastada pelo fato de ele estar morrendo. Eu deveria visitá-lo, pensei, depois tive um medo irracional de que meus pais – ambos mortos há muito tempo – ficariam furiosos. Jimmy não saberia quem eu era. Os cuidadores achariam que eu era uma hipócrita, aparecendo em sua morte, quando não comparecera em sua vida.
Fonte: Lisa Reswick*
The New York Times

O aluno com síndrome de Down é café com leite?

Duas garotas com síndrome de Down estão sentadas de frente para a foto. A que está do lado esquerdo olha levemente para o lado, enquanto a que está do lado direito olha para frente e apoia o braço nas costas da amiga.Lembra daquele menino que era desajeitado, mas insistia em jogar futebol? O professor colocava o garoto em um time e lá ficava ele, correndo e esperando que alguém lhe passasse a bola. E ninguém passava. Ele estava no jogo, mas não estava jogando. Ele era “café com leite”.

Ser “café com leite” tem muitos efeitos sobre a criança ou jovem. O primeiro é a percepção da condescendência e baixa expectativa: “apesar de saber que você não é capaz, eu deixo você participar”, o que traz como conseqüências imediatas a baixa auto-estima e a desmotivação. O mesmo pode acontecer com o aluno com alguma deficiência em classe regular, quando seu professor o vê como uma criança que está ali, mas não conseguirá aprender. Este educador adota esta postura geralmente com a intenção de proteger ou evitar frustrações para seu aluno por estar mais focado em suas dificuldades que em suas competências. Mas a criança que percebe que está sendo tratada de maneira desproporcional a sua capacidade, esta sim se frustra, se entristece, se desinteressa. Ela estará no jogo, mas não estará jogando.

Para que o aluno com síndrome de Down deixe de ser ou não se torne um aluno “café com leite”, para que ele seja um aluno que, além de estar na escola, participa e aprende, há que se refletir sobre um conceito básico: compromisso. Um compromisso que deve partir da escola, da família e do próprio aluno. Se qualquer um destes elementos encarar a aprendizagem de forma leviana e indiferente, não há como se alcançar sucesso. Chega de procurar culpas e desculpas para as dificuldades de aprendizagem de crianças com síndrome de Down. A família culpa a escola, a escola culpa o professor, o professor culpa a família e todos têm como desculpa a deficiência, e desperdiçam tempo, energia e afeto que poderiam investir na aprendizagem da criança, baseados em suas possibilidades.

Muitas vezes, as famílias depositam na escola e nos terapeutas a função de ensinar, de impor regras sociais e valores, quando deveriam participar efetivamente tanto na construção realista das expectativas, quanto na construção da aprendizagem de seu filho. Mostrar à criança o quanto aprender é importante, valorizar as aquisições e dar funcionalidade aos conteúdos trabalhados na escola, demonstra a ela que sua aprendizagem está sendo encarada (e aguardada) de forma séria e coerente.

Algumas atitudes dos familiares, muitas vezes inconscientes, camuflam a postura “café com leite”: supervalorizar o fato de que a escola “aceitou” seu filho , deixar que falte por motivos pouco importantes, fazer a tarefa por ele, não exigir dele o que exigiria se não tivesse a síndrome (se esforçar, arrumar seu próprio material, respeitar horários da escola, tirar boas notas, etc.). Ninguém coloca um filho na escola sem esperar e cobrar que ele aprenda. Porque deveria acontecer assim com crianças com síndrome de Down? A criança é a primeira a captar esta postura condescendente, e a fazer uso dela em benefício próprio.

A criança é fruto do meio em que vive, dos estímulos que lhe são oferecidos, dos modelos que recebe, e vai dar respostas correspondentes ao que se espera dela. Se a criança vive submetida a baixas expectativas, sendo sempre tratada como criança ou aprendiz incapaz, ela vai continuar sendo criança ou aprendiz incapaz, vai se desenvolver pouco emocional e intelectualmente. O interesse do aluno em aprender é fundamental e muitas vezes subestimado. Pais e professores constroem esta motivação que leva o filho ou o aluno a querer aprender através do modelo, da relação de confiança, passando pela auto-percepção e pela auto-estima, levando a criança a conhecer e assumir seu lugar em casa, na escola e na vida.

É preciso que a criança ou o jovem estejam comprometidos com sua própria aprendizagem, pois para aprender é preciso querer e de nada vale ser o depositário de informações não desejadas e não utilizadas. O aluno com síndrome de Down precisa (ou melhor, todos os alunos precisam) saber por que é importante aprender, onde se pretende chegar com tantas aulas, atividades, tarefas, conteúdos e provas. Um sentido para sua aprendizagem, algo que todo e qualquer aluno deveria ter.

Cada criança, tenha ela síndrome de Down ou não, é um indivíduo com suas forças e fraquezas, seu próprio potencial e seu índice de desenvolvimento. Quando ela passa a viver exclusivamente em função do que esperam dela ou da imagem que construíram para ela, se destitui de sua identidade própria e suas chances de sucesso, de autorrealização e de felicidade se tornam menores. É preciso deixar que a criança suporte e vivencie seus próprios riscos, tanto os acertos quanto os erros, para que encontre o equilíbrio necessário para seguir adiante baseada no próprio conhecimento. Acreditar no que é possível e real movimenta esquemas cerebrais que fazem com que as coisas aconteçam, porque envolve o indivíduo emocionalmente na situação, o faz crescer e ir em busca dos resultados, superando seus obstáculos e limitações.

A escola tem papel fundamental na formação de um indivíduo autônomo, tenha deficiência ou não. Juntamente com a família daquele aluno, a escola estará formando um cidadão com direitos e deveres. E, como tal, como um aluno que tem o direito da aprender, mas que também tem o dever de se empenhar para isso, é que o aluno com síndrome de Down deve ser encarado. Os princípios da pedagogia atual dizem que todas as pessoas podem ser inteligentes, porque a inteligência não é inata, mas se constrói. Conhecemos hoje também o conceito de inteligências múltiplas, que demonstra que cada um tem seu canal de acesso e de expressão de habilidades. Ou seja, todos aprendem. A inteligência é ativa, móvel, modificável pela ação externa, e não determinada apenas por fatores orgânicos, genéticos ou hereditários. Pessoas com síndrome de Down, mesmo apresentando algum tipo de atraso cognitivo, desenvolvem suas inteligências quando devidamente mediadas por educadores, familiares e terapeutas. E é nisso que o professor deve investir: em acreditar nas capacidades do aluno em aprender e em suas capacidades como professor, de fazer parte desse processo da construção desse caminho de aprendizagem. .

Muitas vezes, por subestimar ou para poupar um aluno que acredita não ser capaz de aprender, o professor oferece conteúdos muito aquém de suas capacidades ou totalmente diferentes daqueles abordados pelos colegas, caindo inevitavelmente na desmotivação. Se a uma criança não solicitamos sempre algo novo, proporcional às suas capacidades, ela regride para comportamentos mais fáceis e mais conhecidos. Devemos solicitar às crianças algo mais daquilo que já sabem para estimular a transferência das próprias habilidades para novos campos de experiência. Isto só é possível quando há confiança nas possibilidades da criança, confiança realista que não superestime, mas nem menos subestime o nível no qual ela pode operar e não impeça seus próprios interesses e motivações de se manifestar.

Como em casa, a visão de “café com leite” que a escola atribui ao aluno se revela de diferentes formas: permitindo ao aluno com síndrome de Down atitudes que não permitiria aos outros (sair da sala, ficar deitado no chão, mexer no material dos colegas, não cumprir com combinados, ir inúmeras vezes ao banheiro, etc.), não mandar tarefas para casa, não cobrar normas ou atividades solicitadas a todos, oferecer atividades muito fáceis, dar um jeitinho ou aceitar desempenhos muito baixos. Essas atitudes de desconsideração desmerecem seu potencial e funcionam como freio, um congelamento no movimento da criança em atuar de forma ativa em sua própria vida. Mais uma vez, o aluno percebe a postura condescendente dos que o cercam, e responde no mesmo nível de expectativa, entendendo que ter a síndrome lhe autoriza a tudo e não lhe exige aprendizagem.

Ter um filho ou aluno “café com leite” resulta em economia na expectativa e no investimento, e numa conseqüente resposta econômica por parte da criança, ou seja, ninguém faz tudo o que pode ou precisa ser feito – nem ela, nem seus pais, nem seus educadores. Encarar o aluno com síndrome de Down de maneira séria significa que o aluno vai dar o máximo de si, enquanto a escola e o educador estarão dando o máximo deles também. Ninguém estará fazendo de conta, nem que aprende, nem que ensina. A criança com síndrome de Down merece e pode estar no jogo.

Por: Josiane Mayr Bibas e Maria Izabel Valente

Texto publicado originalmente no Inclusive.

Crianças com Down: “acredite e oportunize”

Zan-260x300Médico pediatra e geneticista é a maior referência no país sobre o assunto e participou do evento “Síndrome de Down – uma perspectiva multidisciplinar de intervenção” realizado em nosso muncípio

O médico pediatra, geneticista e especialista em Síndrome de Down (SD), Dr Zan Mustacchi, participou do evento “Síndrome de Down – uma perspectiva multidisciplinar de intervenção”, realizado nos dias 12 e 13 março no auditório do Centro Municipal de Atenção Especializada (CEMAE). A atividade foi organizada pelo Mundo Ímpar e pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), por meio do Programa de Pós-graduação em Linguística (PPGLin). A proposta foi discutir os tipos de intervenções que podem ser feitas para o desenvolvimento de pessoas com Síndrome de Down.

 

História

Dr John Langdon Haydon Down

Dr Zan explica que em 1866, o Dr John Langdon Haydon Down retornava das Índias para a Inglaterra por meio terrestre, passando pela Mongólia. Nesse país, ele viu “exímios cavaleiros, gordos, baixos, cabelo liso comprido, amarrado como se fosse rabo de cavalo, e falando uma coisa que ele não entendia de jeito nenhum”.

Dr John Langdon Haydon Down

 Dr Zan acrescenta que por ser um neuropediatra, o Dr Langdon Down “trabalhava com deficiência, com aqueles quadros que se chamavam de idiotia na época. Ele resolve fazer a co-relação desses indivíduos com alguns indivíduos chamados de idiotiasna Inglaterra, que tinham uma cara oriental, os olhos puxados, cabelos lisos pretos e que falavam alguma coisa ininteligível, que ele também não entendia”.

Para o Dr Zan “curiosamente ele até descreve, no meu ponto de vista, a primeira referência da indicação do tratamento da Fono, porque ele, em algum parágrafo, ‘diz que essas pessoas parecem que tem alguma coisa na língua. A língua parece ser um pouco mole e grande, que nem cabe na boca, mas tenho a impressão que se fizer ginástica nessa língua, essa língua vai caber na boca’. Então claro que ele traduziu o que se faz na Fono, porque o tratamento da fonoaudiologia é estimulação do movimento da língua, para que essa língua tenha uma relação universo/conteúdo ideal”.

O termo idiotia mongólica durou de 1866 até 1959 quando o médico pediatra e geneticista francês, Jerome Lejeune, descreve o cariótipo da trissomia simples nas pessoas com SD. Dr Zan esclarece que o cariótipo humano foi descoberto em 1954. “Cinco anos depois ele (Dr Jerome Lejeune) começa a dominar a tecnologia e fazer cariótipo das pessoas com problemas cujo diagnóstico não era bem determinado. Então é ele que começa a descrever a SD como a trissomia simples, trissomia livre, e ele chama de Síndrome de Down, em referência a John Langdon Down”.

De acordo com Dr Zan, “a SD é a cromossomopatia mais frequente no ser humano. Hoje a expectativa de vida dessas pessoas chega a 70 anos de idade. Outrora era muito menor. Melhorou muito às custas do envolvimento das famílias. Os pais é que exigiram dos profissionais da saúde a atenção a essas pessoas tal qual era dada atenção as pessoas comuns”. Também salientou que na década de 70, um grupo de jovens médicos começou a fazer as cirurgias cardíacas necessárias. “A partir da cirurgia cardíaca nós conseguimos vencer outra grande etapa de qualidade e sobrevida.”

Os primeiros cuidados

Dr Zan recomenda aos pais que acabaram de ter um filho com SD, que “antes de sair do berçário, ele vai fazer toda a rotina pediátrica que qualquer indivíduo faz, e, além disso, deve fazer um ecocardiograma e um ultrassom de quadril. Isso é que vai diferenciar a atenção básica inicial no berçário. O resto vai seguir todo protocolo de acompanhamento das pessoas com SD, que tem tanto no nosso site que é o www.sindromededown.com.br, assim como no site do ministério da saúde. Então nós temos as diretrizes de atenção com relação à pessoa com SD, de atenção a saúde, que o Ministério da Saúde já publicou em 2012. Seguindo-se todas essas prerrogativas, ele com certeza terá uma condição de oferecer ao filho a melhor qualidade de saúde”. (Para fazer o download das Diretrizes de Atenção à Pessoa com SD do Ministério da Saúde, clique aqui).

Nutrição

piramide-transparente-763x532Dr Zan alerta que o indivíduo com SD tem alguns problemas enzimáticos, sendo o básico com a enzima superóxido dismutase e que está intimamente relacionado com o contexto de aumento da produção de radicais livres de oxigênio. “E na hora que você tem aumento de radicais livres você gera uma condição de induzir ao envelhecimento prematuro”. Outro ponto observado pelo médico é cerca de 60 a 70% do encéfalo do nosso cérebro é uma gordura especial. Ele então sugere uma dieta com algas e peixes, que contém essa gordura especial.

Dr Zan acrescenta que “é claro que uma série de complementos de sais minerais, metais como zinco e cobre, que está relacionado com superóxido dismutase, para se complementar. Esses dois elementos são fundamentais para o desenvolvimento, à imunidade, ao crescimento e potencializar a capacitação desse indivíduo”. Dr Zan também recomenda o cacau, porque “tem triptofano, que é um precursor da serotonina, fator importantíssimo para o desenvolvimento neuronal”.

Mensagem para os pais

“Eu vou deixar uma mensagem traduzida por duas palavras: acredite e oportunize. Se você der crédito e der oportunidade você chega e não limite o até para onde ele chega. Você chega. É acreditar e dar oportunidade”, finalizou Dr Zan.

 

Fonte: agentediz.com.br/

21 de março: Dia Internacional da Síndrome de Down

alice.jpgDentre os 365 dias do ano, o “21/03” foi inteligentemente escolhido porque a Síndrome de Down é uma alteração genética no cromossomo “21”, que deve ser formado por um par, mas no caso das pessoas com a síndrome, aparece com “3” exemplares (trissomia). A ideia surgiu na Down Syndrome Internacional, na pessoa do geneticista da Universidade de Genebra, Stylianos E. Antonorakis, e foi referendada pela Organização das Nações Unidas em seu calendário oficial.

Mais interessante ainda que a origem da data, é a sua razão de existir. Afinal, por que comemorar uma síndrome?!

Oficialmente estabelecida em 2006 e amplamente divulgada, essa data tem por finalidade dar visibilidade ao tema, reduzindo a origem do preconceito, que é a falta de informação correta. Em outras palavras, combater o “mito” que teima em transformar uma diferença num rótulo, numa sociedade cada vez mais sem tempo, sensibilidade ou paciência para o “diferente”.

A Síndrome de Down foi descoberta em 1862 pelo médico britânico John Langdon Down (que bem podia chamar-se John Up, pra colaborar…!), e apesar de ainda estarmos em situação muito distante da ideal, nesse intervalo de 153 anos muitos foram os avanços no âmbito da ciência e da sociedade, de forma especial nas últimas três décadas. Basta você observar com os casos da síndrome aparentemente “aumentaram”. Mas não. É que antigamente as crianças ou adultos com a síndrome pouco saíam de casa, infelizmente….

Por falar nisso, essa participação social é uma das questões que a celebração dessa data, já em sua 10ª edição, visa destacar: a Síndrome de Down não é uma doença, e não impede, de maneira nenhuma, que o indivíduo tenha uma vida social normal (se é que esse termo ainda faz algum sentido). E, nessa questão, já se emenda uma outra, igualmente importante: a inclusão. Felizmente, hoje em dia, isso é lei, mas muitas pessoas ainda desconhecem: criança com Síndrome de Down (ou qualquer outra dificuldade de aprendizado) tem que ser matriculada em escola regular. Isso mesmo, junto com todas as outras crianças. Essa convivência é extremamente saudável para todos, e a conduta mais eficiente para o aprendizado pedagógico – que se torna um pouco mais demorado devido àquele terceiro cromossomo, mas acontece.

Essa data visa chamar a atenção especialmente das pessoas pouco informadas sobre as capacidades das pessoas com a Síndrome de Down. Elas possuem tantas outras características quanto os demais seres humanos, ou seja, a síndrome não as define. É muito importante que todos saibam (outra tarefa do 21/03) que cada pessoa com síndrome de Down também tem gostos específicos, personalidade própria e individual, habilidades e vocações distintas entre si. Portanto, devem ser evitados os “rótulos” provocados por expressões do tipo “Ah, como ‘os Downs” são carinhosos!” ou “Eles são todos tão teimosos, não?!”… Em respeito à individualidade de qualquer ser humano, esse tipo de generalização não deve ser aplicada a nenhum grupo, nem a este, por melhor que seja a intenção de quem o faz.

Obviamente o diagnóstico genético carrega consigo algumas especificidades, como, por exemplo, a cardiopatia (problemas no coração), presente em aproximadamente 50% dos casos; às vezes problemas de audição e/ou visão; atraso no desenvolvimento intelectual e da fala, dentre alguns outros. Mas são questões pontuais e de saúde, a serem detectadas e tratadas medica e terapeuticamente, de maneira que não definem qualquer prognóstico, ou seja, ninguém jamais pode prever até onde pode chegar o desenvolvimento das pessoas com síndrome de Down – assim como das demais pessoas. Elas devem ser estimuladas a terem sonhos e projetos, crescerem, estudarem e trabalharem como qualquer ser humano, e têm todo o direito de lutar pela sua total autonomia, sem que sua condição genética represente qualquer tipo de barreira. Ou existe alguém que não possui limitações?!

Na verdade, toda convivência saudável entre amigos e familiares, colegas e sociedade, de maneira atenta a todo tipo de diversidade, é sempre muito enriquecedora. O mesmo acontece quando você tem a oportunidade de conviver com uma pessoa com a Síndrome de Down. Olhe para ela, e não para a síndrome, e você vai descobrir um ser humano tão incrível quanto você.

Por Luciana Bettiol, Ativadora da Rede do Movimento Down

Mercado de trabalho para pessoas com Síndrome de Down

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Encontro sobre Síndrome de Down

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Criando uma sala de aula inclusiva

Imagem: www.inclusive.org.br

Imagem: www.inclusive.org.br

O ano escolar está começando e os professores em salas de aula regulares estão ocupados com o planejamento e a preparação de materiais de ensino, incluindo materiais curriculares diferenciados para os alunos com deficiência que estão em suas turmas.

Mas tão importante como a aplicação de desenho universal e instrução diferenciada é criar e manter uma cultura inclusiva para a classe… Uma cultura em que cada estudante se sinta tanto acolhido e incluído como aluno, quanto valorizado enquanto colega.

Estudos demonstram que uma cultura de classe inclusiva traz melhores resultados acadêmicos e sociais, além de promover a independência dos alunos com e sem deficiência.

Aqui estão algumas dicas práticas para professores que tentam criar ou melhorar a inclusão na sua sala de aula:

1) NÃO SUBESTIME O SEU ALUNO. Não assuma que um aluno com deficiência não será capaz de “fazer” algo, logo “não vale a pena o esforço”. Os alunos com deficiência intelectual ou cognitiva podem aprender as coisas de uma forma diferente ou levar mais tempo… Eles podem não aprender aquilo naquele momento, mas a aprendizagem é progressiva e algo sempre vai ser aprendido. Dizer a ele e seus colegas que você acha que ele pode fazer é a mensagem mais importante e inclusiva que você pode passar. Ao desencorajar o aluno, você contribui para a realização da profecia de que ele “não é capaz de aprender”, mas ao encorajá-lo, você o incentiva e reconhece seu potencial diante dele próprio e dos outros alunos. Leia mais

Negar vaga ou cobrar a mais de alunos com deficiência, agora é crime

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Confira a matéria veiculada no Fantástico, programa da Rede Globo.

http://g1.globo.com/fantastico/videos/t/edicoes/v/negar-vaga-ou-cobrar-a-mais-de-alunos-com-deficiencia-agora-e-crime/4777195/

“Precisamos deixar de olhar apenas para a patologia”, diz especialista em educação inclusiva

"Precisamos deixar de olhar apenas para a patologia", diz especialista em educação inclusiva Júlio Cordeiro/Agencia RBS

Foto: Júlio Cordeiro / Agencia RBS

Antes ilegal, negar vagas para crianças com deficiência em escolas regulares agora é crime previsto no Estatuto da Pessoa com Deficiência, em vigor há cerca de uma semana. A infração prevê multa e prisão de até cinco anos. Mesmo tida como um avanço na questão da educação inclusiva no Brasil, as escolas ainda precisam se especializar no atendimento das múltiplas deficiências.

Em entrevista para Zero Hora por telefone, a psicanalista especialista em Diagnóstico e Tratamento de Problemas da Infância e da Adolescência, doutora em Educação e professora da Faculdade de Educação da PUCRS, Maira Fabiana Brauner, afirmou que os estabelecimentos de ensino precisam deixar de olhar apenas para as deficiências, para conhecer as crianças com esses diagnósticos.

Entenda os principais pontos do Estatuto da Pessoa com Deficiência

O que a escola precisa ter para ser inclusiva?
Precisamos deixar de olhar para a patologia para poder enxergar a criança que está ali, e a acolher. Recursos materiais e técnicos são pontos importantes e necessários, mas não são determinantes. É preciso ter recursos humanos formados para a inclusão, o que envolve todos os funcionários da escola, do professor à merendeira ou o zelador. Todos precisam estar preparados para atender os alunos com deficiência.

No que a escola precisa avançar para alcançar a inclusão?

O que está faltando muito é o apoio ao professor, quem tem sido deixado de lado. Tenho deparado muito com o desamparo dos professores, que sofrem a angústia de ver que o ensino não está saindo como planejado. O projeto falha se não há espaços para ouvir e orientar o professor. Uma discussão que precisa ser feita é como cuidar dos profissionais que vão cuidar da inclusão do aluno.

Nas escolas particulares, passou a ser crime cobrar valores adicionais de pais de alunos com deficiência. Qual a importância da medida?
O que está sendo cobrado nos remete à questão de que os pais tem de pagar por causa de um diagnóstico, não temos de culpabilizar as famílias. Precisamos falar sobre como acolhemos a diferença. Nenhum aluno é o aluno ideal, mas o aluno possível.

Avanços do Estatuto da Pessoa com Deficiência
— Criminaliza discriminação, negativas em planos de saúde ou empregos
— Passa de 2% para 10% a frota de táxi adaptada
— Determina que 3% das unidades habitacionais custeadas com verba pública sejam adaptadas
— Determina que 10% das habitações de hotéis, pousadas e similares sejam adaptadas
— Reserva 2% das vagas de estacionamento para deficientes
— Determina que 10% dos computadores de telecentros ou lan houses sejam acessíveis

Fonte: ZH Educação

Direitos de pessoas com Síndrome de Down: transporte

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Passe Livre Federal é uma conquista das pessoas com deficiência.

Um avanço que trouxe mais respeito e dignidade ao deficiente.

Com o Passe Livre, a Pessoa com Deficiência vai poder viajar por todo o país. Use e defenda o seu direito. O bom funcionamento do Passe Livre depende também da sua fiscalização. Denuncie, sempre que souber de alguma irregularidade.

Faça valer a sua conquista.

Passe Livre Federal = Transporte Interestadual

http://www.transportes.gov.br/perguntasfrequentes/passe+livre

Lei Federal 8.899, de 29 de junho de 1994, é concedido o passe livre às pessoas com deficiência, comprovadamente carentes, no sistema de transporte coletivo interestadual.

Obs. É considerada carente a pessoa com renda familiar mensal per capita (por pessoa) igual ou inferior a um salário mínimo nacional.

Tipos de transporte que aceitam o Passe Livre – Transporte coletivo interestadual convencional por ônibus, trem ou barco, incluindo o transporte interestadual semi-urbano.

O Passe Livre do Governo Federal não vale para o transporte urbano ou intermunicipal dentro do mesmo estado, nem para viagens em ônibus executivo e leito e não dá direito a gratuidade para acompanhante. Passe Livre Federal = Transporte Estadual 1. Leia mais

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