Especialistas recomendam suplementação alimentar para síndrome de Down

Kent-MacLeod-edit-300x207 Norm Schwarcz é médico especializado em Medicina Funcional Integrativa, com experiência no tratamento de crianças e adultos com síndrome de Down ou problemas médicos crônicos.

Kent MacLeod é farmacêutico clínico e especializou-se em suplementação alimentar e nutrição ortomolecular de pessoas com síndrome de Down, Autismo e outros transtornos do desenvolvimento.

Os dois se apresentaram na “2014 Mission Possible Down Syndrome Cruise Conference”, conferência sobre síndrome de Down realizada nos EUA e Canadá em julho de 2014 à qual o Movimento Down esteve presente.

Nossa representante no evento, Christiane Aquino Bonomo – Cofundadora e Conselheira do Movimento Down – participou das palestras de ambos especialistas e relata abaixo o que foi dito. Os dois trataram de epigenética e o impacto da suplementação alimentar no desenvolvimento e na saúde de pessoas com síndrome de Down.

Norman Schwartz é médico especializado em Medicina Funcional Integrativa. Foto: reprodução de vídeo.

Norman Schwartz é médico especializado em Medicina Funcional Integrativa.

A epigenética é o estudo das alterações da expressão dos genes adquiridas por um organismo vivo ao longo de sua vida que, apesar de não alterarem a sequência do DNA, são transmitidas para as gerações seguintes.

Estudos indicam que essas variações podem ser causadas por fatores externos, como mudanças químicas influenciadas pela alimentação, por exemplo.

O Movimento Down lembra que, antes de se introduzir qualquer suplementação na rotina dos indivíduos com síndrome de Down, é necessário consultar um médico.

Epigenética e suplementação alimentar – por Christiane Aquino Bonomo

“A terra é plana”. “Mulheres não têm cognição suficiente para votar”. “Não se pode tratar a síndrome de Down”. O Dr. Norm Schwarcz abriu sua palestra com essas afirmações e lembrou que elas já foram consideradas verdades científicas por muito tempo.

Hoje, especialistas defendem que, além de estimulação precoce, educação em escola regular e convivência em sociedade, também a epigenética pode ser uma grande aliada na melhoria da saúde, da cognição e da qualidade de vida de pessoas com síndrome de Down.

A epigenética aplicada à síndrome configura-se no uso de suplementação (vitaminas, sais minerais e outros nutrientes) para melhorar desequilíbrios bioquímicos relacionados à terceira cópia do cromossomo 21 e, por meio dessa intervenção (TNI – Target Nutrition Intervention), mudar a expressão de certos genes do cromossomo 21.

Segundo os especialistas, a deficiência de minerais e vitaminas em pessoas com Down tem sido verificada em diversos estudos clínicos.

A deficiência de certos folatos, por exemplo, pode alterar a metilação (ciclo SAM) em pessoas com a síndrome, causando desequilíbrios celulares significativos. Além disso, um dos genes da terceira cópia do cromossomo 21 é responsável pela oxidação excessiva das células por meio da peroxidase (SOD) das células desses indivíduos. Acredita-se que esse estresse oxidativo, como também é chamado, pode ser um dos fatores a causar a hipotonia, comum em pessoas com síndrome de Down.

Para combater a superoxidação e o desequilíbrio da metilação, uma alimentação saudável e rica em antioxidantes é importante, mas ainda não é suficiente para combater, de maneira, efetiva, os danos causados, de acordo com Kent McLoed. Por isso, ele recomenda o uso de suplementação através de fórmulas e vitaminas que prescreve a seus pacientes.

Estudos apontam também que sintomas que atrapalham o aprendizado, e que são relatados por muitos pais (como o ranger de dentes), são causados pela falta de certos minerais – normalmente magnésio, zinco ou orotato de lítio – no organismo de indivíduos com a trissomia.

Os dois especialistas defendem que é importante realizar exame de sangue pelo menos uma vez por ano para rever os níveis de vitaminas, minerais e nutrientes. Afirmam ainda que, para o tratamento correto, os níveis de certos nutrientes devem ser ingeridos em níveis bem acima do normal para a população comum, sobretudo vitamina C, vitamina E, zinco, selênio, magnésio, ômegas e colina (parte do complexo B de vitaminas).

Abaixo, seguem os testes recomendados pelo Dr. Schwarcz para análise das reações bioquímicas e do nível de determinados nutrientes em pessoas com síndrome de Down.

Para avaliar como será aplicada a suplementação inicial:

– Ácido Úrico
– Ácidos graxos essenciais
– Ácidos orgânicos
– Aminoácidos
– Amônia
– Análise de fezes
– CBC
– Cobre/zinco
– Doença celíaca
– Ferritina
– Ferro / capacidade de ligação de ferro
– Função imune
– Iodo
– Marcadores do estresse oxidativo
– Metais pesados
– Painel Lipídico
– Selênio
– Temperatura corporal basal
– Tireoide: T3 e T4 Livres, T3 Reverso / anticorpos anti-TPO
– Vitaminas A e D

Para avaliar o nível de estresse oxidativo do paciente e adequar a quantidade e o tipo de antioxidantes:

– 8-OH Desoxiguanosina – produto específico do dano oxidativo do DNA
– Glutationa reduzida
– HDL/LDL oxidados
– Isoprostano urinária
– MDA-Dialdeído Malônico (urina)
– Peróxidos lipídicos

Os suplementos mais recomendados durante a conferência foram:

Curcumin: potente antioxidante, antimicrobial, modulador de proteínas e ativador de neurogênese (criação de neurônios) por meio do aumento da serotonina e do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF).

– Referências (em inglês): http://dsdaytoday.blogspot.com.br/2011/03/longvida-curcumin.html – Blog mantido por uma mãe de criança com síndrome de Down, recomendado por mais de um conferencista. Traz uma lista de estudos sobre o assunto.

Ômegas: apoiam a reprodução celular em áreas importantes do cérebro, como o hipocampo.

– Referências (em inglês): http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15672635

EGCG – chá verde: inibe a expressão triplicada do gene DYRK1A, responsável por causar parte da deficiência cognitiva de pessoas com síndrome de Down. Os primeiros testes em humanos foram realizados pela Jerome Lejeune Foundation e liderado pela Professora Mara Dierssen, com resultados muito positivos.

– Referências (em inglês): http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24039182

Phosphatyl-choline (PC): é um fosfolipídeo construtor de células cerebrais com benefícios cognitivos/neurológicos verificados não somente em pessoas com síndrome de Down, como também Parkinson e Autismo.

– Referências (em inglês): https://www.bodybio.com/BodyBio/docs/BodyBioBulletin-Phosphatidylcholine.pdf e http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20528079

Palestras completas:

As palestras podem ser vistas no Canal do Vimeo do Mission Possible Cruise. Os vídeos estão em inglês.

Kent MacLeod, aqui e aqui.

Norm Schwarcz, aqui.

– See more at: http://www.movimentodown.org.br/2014/08/especialistas-recomendam-suplementacao-alimentar-para-sindrome-de-down/#sthash.gMQObypW.dpuf

 

Fonte: Movimento Down

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