Porque o esporte é excelente para pessoas com Síndrome de Down

Crédito da foto: Edmílson de Lima – Imagens do Povo/Movimento DownUma atividade completa. Assim pode ser definida a ginástica artística, um esporte que tem sido praticado com sucesso por pessoas com síndrome de Down. Algumas características associadas à síndrome facilitam a realização dos exercícios. Além da diversão, crianças e adolescentes desenvolvem habilidades fundamentais para o seu desenvolvimento, como o equilíbrio e o fortalecimento muscular.

A palavra ginástica tem origem no termo grego gymnastiké e significa “a arte ou ato de exercitar o corpo para fortificá-lo e dar-lhe agilidade”. No caso das pessoas com síndrome de Down, os benefícios são ainda maiores. Para Cristiane Wolf, professora de ginástica artística da Academia Body Tech e do Clube de Regatas do Flamengo, ambos no Rio de Janeiro, a atividade é ideal para este público.

“Essas pessoas vão encontrar facilidade para realizar os exercícios que exigem flexibilidade e serem estimuladas a desenvolver outras habilidades como o equilíbrio e a coordenação motora”, explica a professora que também dá aulas para crianças com autismo e outras deficiências.

As habilidades para o esporte são ocasionadas pela hipotonia, diminuição do tônus muscular característica da síndrome de Down. A característica aumenta a flexibilidade, qualidade tão exigida para executar as séries nos aparelhos que fazem parte do esporte. As crianças podem fazer o esporte assim que começam a caminhar.

“Precisamos apenas da liberação médica antes de iniciar a prática. É preciso verificar se a criança não tem instablidade antlato-axial [condição que atinge cerca de 15% das pessoas que nasceram com a síndrome]“, ressalta Cristiane, que dá aulas para uma aluna de três anos que tem síndrome de Down, a pequena Beatriz.

Crédito da foto: Edmílson de Lima – Imagens do Povo/Movimento Down

Crédito da foto: Edmílson de Lima – Imagens do Povo/Movimento Down

A mãe de Beatriz, Maria Antônia Goulart, conta que a escolha do esporte foi uma orientação da fisioterapeuta da menina. “Quando a Beatriz começou a andar e teve alta da fisioterapia recebi esta sugestão. Eu queria uma atividade que pudesse se tornar uma prática para toda a vida dela e não só a infância. É diferente de uma terapia, mas continua trazendo muitos estímulos e ganhos”, explica Maria Antônia, que é advogada e coordenadora do Movimento Down,.

A ginástica artística trabalha ainda a psicomotricidade de todo o corpo e estimula a questão sensorial, além de ensinar disciplina e determinação. Para as pessoas com deficiência intelectual, que podem tender à dispersão, este é um excelente exercício.

Em Teresópolis, região serrana do Rio, a Associação Síndrome de Down, em parceria com o Complexo Desportivo Marra, também tem uma ginasta, a Andrezza. Em seu perfil no Facebook, a associação informa que a aluna participa ativamente das aulas de ginástica artística com os demais alunos da turma, com um brilhante desempenho. “Andrezza melhorou no equilíbrio, diminuiu o seu medo de altura, desenvolveu melhor a concentração e sobretudo demonstra muita alegria e satisfação na atividade. Não perde um aula”. E em São Paulo, a Associação Paradesportiva JR oferece uma equipe de treinamento com as modalidades das ginásticas artística e rítmica para pessoas com síndrome de Down

Ginástica rítmica também é boa alternativa

Alunas praticam ginástica rítmica na Apae de Ponta Grossa Crédito da foto: Arquivo Pessoal/Jean Leonardo Machado

Alunas praticam ginástica rítmica na Apae de Ponta Grossa
Crédito da foto: Arquivo Pessoal/Jean Leonardo Machado

Em julho, três atletas foram as primeiras na história dos Jogos Escolares do Paraná a disputar a categoria para pessoas com síndrome de Down na ginástica rítmica. As meninas são alunas da APAE de Ponta Grossa e aprenderam o esporte na instituição. Jean Leonardo Machado, professor de Thaís, Eduarda e Anne Gabriele, de 13 anos, conta que a ideia inicial era montar um grupo de dança. “Percebi que as alunas com síndrome de Down têm bastante flexibilidade e eu comecei a ver que tinha de levá-las para competir. Então, começamos a montar uma série de dança”, relembra, em entrevista ao portal da RPCTV.

A escola foi a única inscrita na competição nesta modalidade o que para a diretora da instituição, Maria Roseli Blum Gomes, é um importante passo no processo inclusivo. “Tanto se fala hoje em inclusão das pessoas com deficiência e os jogos estão aí para que elas demonstrem o seu potencial e que convivam com as demais pessoas”, defendeu Maria Roseli.

As meninas ensaiaram desde fevereiro e apresentaram, cada uma, a série de um minuto e quinze segundos a um minuto e meio com a bola. Nesta edição dos jogos, a disputa foi demonstrativa e, por isso, as três ginastas receberam premiação.

Esta reportagem faz parte de uma série do Movimento Down sobre os benefícios da prática esportiva para pessoas com síndrome de Down. Nas última semanas, publicamos uma matéria sobre as vantagens do surfe e das artes maciais.

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