Justiça Determina Professora Auxiliar com Especialidade para Aluna com Síndrome de Down em todo período de Aula

Geração 21 destacou repórter com SD

O programa Geração 21 encerrou sua série com a repórter Fernanda Honorato, que hoje ocupa um espaço importante no jornalismo da TV Brasil, além de ser destaque na Escola de Samba da Portela. O recado da carioca que coleciona prêmios é direto: “a superproteção não é a nossa praia. Aliás, eu sou a cara da independência”.

Ela tem síndrome de Down e não conseguia emprego, mas decidiu abrir seu próprio negócio

Collette Divitto é uma garota de 26 anos que vive em Boston, nos Estados Unidos. Como adora cozinhar desde os 15 anos e faz cookies deliciosos, aos 22 ela resolveu procurar um emprego na área e distribuiu dezenas de currículos em diversas empresas. Nas entrevistas de emprego, ela não deixava de levar os saborosos cookies. Porém, ninguém a contratou.
O Collettey’s Cookies recebeu sua primeira encomenda de um mercado de Boston interessado em revender os deliciosos cookies de chocolate com canela da garota. A princípio, Collette fazia 100 biscoitos por semana para o mercado. Porém, depois de aparecer em uma matéria na rede de televisão CBS, esse número subiu e ela já recebeu mais de 10 mil pedidos.

Com isso, Collette já precisa da ajuda de funcionários. E ela diz que a preferência será por pessoas que também possuam alguma deficiência, permitindo que ingressem no mercado de trabalho mais facilmente e sem preconceitos. A garota se orgulha que o seu negócio esteja se tornando um modelo para pessoas com deficiência.

“Acho que toda a rejeição que ela sentiu fez com que ela pensasse: ‘Vou mostrar para eles’”, diz sua mão, Rosemary Alfredo. “Eu nunca a eduquei olhando para ela como se ela tivesse qualquer limitação. Eu só dizia: ‘Todos temos limitações. Todos temos coisas em que somos bons e coisas em que não somos bons’”, conta.

Com informações de UpWorthy e CBS.

10 desenhos infantis que promovem a igualdade, por Paola Rodrigues

Paola Rodrigues é escritora, roteirista e mãe. Escreve nos blogs Cartas para Helena  e Não Pule da Janela, onde discute temas que englobam a maternidade e sociedade.

Neste post ela discute a qualidade das produções infantis no universo dos desenhos animados. “Crianças merecem conteúdo de qualidade. Desenhos e filmes igualitários, longe de sexismo, que desenvolvam a criatividade e relações positivas”, defende.

Para dar novas possibilidades às famílias, ela listou 10 desenhos infantis inteligentes que não misturam marcas com diversão.

Confira

1. O Show da Luna
Disponível no Youtube

o_show_da_lunaEstá é uma produção nacional, ponto positivo, que tem como protagonista uma menina chamada Luna, que é como toda criança: uma cientista. Ela, seu irmão Júpiter e o furão Cláudio – sim, como o Imperador Romano historiador e escritor – vivem aventuras para solucionar a maior questão do desenho “Porque isso está acontecendo?”.
Primeiro temos um desenho muito bem feito, tanto artisticamente, quanto em roteiro. Os diálogos são divertidos, os assuntos sempre muito interessantes, a ponto de que a família se reúne na sala para ver junto.
Em segundo, temos uma protagonista menina, que usa roupas normais, nada rosa, nada fofo, nenhum esteriótipo. Ela ama seu irmão e se aventura com ele. A família de Luna não só incentiva, como participa dos experimentos. As questões são reais e a argumentação é sempre muito bacana.
Um desenho que incentiva perguntas, descoberta e a real exploração do potencial infantil é sempre fantástico.

2. Que monstro te mordeu?
Veiculado pela TV Cultura com 50 episódios no canal do Youtube

que_monstro_te_mordeuNão é para crianças muito pequenas, já que sua temática é bem reflexiva.
Lali é uma menina meio monstro que foi convidada para o concurso Monstro do Universo por seu amigo Romeu Umbigo. E é nesse mundo cheio de monstros coloridos, um cenário maravilhoso, músicas originais e divertidas, que vemos Lali se deparando com sentimentos que podem transformar humanos em monstros quando não discutidos.
Na história temos temas como inveja e raiva, sempre abordado de forma muito lúdica e sincera. Leia mais

A revolução é Down: jovens rompem as barreiras do mercado e derrubam o preconceito

Matéria: POR SOLANGE AZEVEDO. FOTOS JOÃO BERTHOLINI E MARCO AURÉLIO – Revista Marye Claire

Uma youtuber com 173 mil inscritos em seu canal, um campeão brasileiro de polo aquático, uma modelo de uma das maiores empresas de maquiagem do mundo, um chef de cozinha formado por uma renomada faculdade do país. Criada com estimulação e incentivo, uma nova geração de jovens com síndrome de Down rompe as barreiras do mercado de trabalho e derruba o maior obstáculo para seu desenvolvimento: o preconceito

 (Foto: João Bertholini e Marco Aurélio)

Ela quer se tornar estrela de cinema e TV. Mas, como boa jovem da geração Y, faz sucesso mesmo é na internet. Cacai Bauer é a primeira youtuber brasileira com síndrome de Down e não tem a menor vergonha de expor sua condição na rede social. Irreverente e bem-humorada, a baiana de 22 anos, que se inspira em celebridades digitais como Kéfera e Isaac do Vine, posta vídeos semanalmente. Neles, promove sessões de perguntas e respostas aos espectadores, divide sua história e faz dublagens com paródias divertidas de funks. “Sou Diva”, a versão sem malícia do hit “Bumbum Granada”, dos MCs Zaac e Jerry, por exemplo, já soma mais de 600 mil visualizações. “So-sou diva sim e daí / Beleza é o meu lema / O sol nasceu para mim / Ser Down não é um problema”, canta. “Eu sou diva, diva, diva, diva, diva, diva, sim / Eu sou gata, gata, gata, gata, gata, gata-ta.” Em todas as postagens, a mensagem é clara: a missão da baiana é combater o preconceito.

Como muitos bebês de sua geração, Cacai recebeu uma sentença de desengano dos médicos no momento em que nasceu. “Logo após o parto, mostraram que era uma menina e que estava tudo bem. Senti alegria e alívio. Aí levaram Cacai para uma sala e não me falaram nada sobre sua condição”, conta a mãe, a dona de casa Janaina Bauer, 43 anos. “Mais tarde, quando já estava no quarto, meu pai entrou chorando. Depois, meu marido e minha mãe. A princípio, achei que fosse de emoção. Mas a neonatologista que estava com eles disse que minha filha tinha síndrome de Down. Na sequência, despejou que ela precisaria de muitos tratamentos, teria uma vida limitada e que eu teria de viver para ela. Foi um choque. A maneira com que a médica falou tudo isso foi cruel, não consegui entender nada. Tanto que, quando levaram a bebê para o quarto, olhei para o berço e voltei a assistir à TV. Só fui chorar em casa. A ficha demorou uns três meses para cair.”

Cacai, no entanto, contrariou as expectativas sombrias. “O momento mais emocionante das nossas vidas foi quando ela conseguiu segurar um objeto pela primeira vez. Estávamos brincando e dei uma escova de cabelo em suas mãos. Chorei de alegria”, conta Janaina. Na época, Cacai tinha 6 meses e os manuais de desenvolvimento dos bebês preveem que possam fazer isso aos 4. Logo que começou a andar e falar, ao longo do primeiro ano de vida, a menina se mostrou desenvolta. Desde pequena gosta de dançar e diz que vai ser famosa. Fez aulas de teatro e, no ano passado, afirma que realizou o grande sonho de sua vida: lançou um canal de ví­deos no YouTube. Em dezembro, já tinha 173 mil inscritos. “Não tem nada que deixe a Cacai mais feliz do que ser reconhecida na rua e, agora, sempre que a gente sai, alguém pede para tirar uma foto com ela”, conta a mãe.

Com a audiência, o espaço tornou-se uma referência para famílias que convivem com a síndrome ou com outros tipos de deficiência. Janaina diz que recebe mensagens de todo o país com dúvidas e palavras de apoio. “Sempre falo: nunca tratamos Cacai como coitadinha. Ela sabe que tem Down, mas nem por isso se sente diferente dos irmãos Luiza, 18, e Caio, 14.”

Embora a maior parte dos comentários deixados pelos seguidores seja encorajadora, a youtuber não está livre dos haters. Para protegê-la, a família faz um filtro e edita as mensagens. “Apagamos as muito agressivas”, afirma a mãe. Uma delas dizia que pessoas com síndrome de Down deveriam morrer. “Os próprios fãs são os defensores”, lembra. Um deles chegou a procurar os pais de um adolescente que postou mensagens agressivas, que o obrigaram a se retratar publicamente. “Ela nunca sofreu bullying, nem na escola regular. Essas mensagens da internet são novidade”, diz Janaina. “Outro dia leu que alguém a chamou de feia e a reação foi bem a cara dela: disse que ia ignorar. A única coisa que deixa Cacai realmente triste é ver eu e meu marido discutindo”, garante a mãe.

O sucesso na internet elevou não apenas a autoestima de Cacai como ajudou em seu desenvolvimento. “Ela não tem muita noção temporal, é algo que precisamos trabalhar. Mas já aprendeu que segunda-feira é dia de postar vídeo novo”, pontua Janaina. Vaidosa, Cacai também começou a fazer dieta para se sentir mais bonita nos vídeos. O cotidiano ainda inclui uma escola especial para jovens e adultos – ela estudou em colégios regulares até o fim do Ensino Fundamental. Foi lá que conheceu Tino, que tem paralisia cerebral e uma leve deficiência intelectual, com quem namora há um ano. “Eles só pegam na mão um do outro, a relação é superinocente”, afirma Janaina.

 (Foto: João Bertholini e Marco Aurélio)

Mudança de paradigma
Vários jovens, como Cacai, estão rompendo com os prognósticos que receberam no nascimento e que ainda fazem parte do imaginário que se tem sobre a síndrome de Down. Ela é uma alteração genética causada por um erro na divisão celular. Em vez de dois cromossomos 21, os Downs possuem três. Isso resulta em olhos amendoados, baixo tônus muscular e deficiência intelectual – além de maior probabilidade de complicações como cardiopatia, problemas auditivos e hipotireoidismo. Com o avanço no conhecimento, as intervenções passaram a ser feitas cada vez mais cedo e a expectativa de vida cresceu de 25 anos (até os anos 70) para mais de 60 nas últimas três décadas.

Cozinho de tudo, mas massas e risotos são a minha especialidade”
Pedro Brandão Carrera, 21 anos

A geração de Cacai teve a sorte de vir ao mundo num momento em que os benefícios de estimulação precoce já eram comprovados pela ciência e que celebridades e novelas passaram a tratar do assunto publicamente. No Brasil, o marco da revolução aconteceu em 2006, quando a TV Globo exibiu a novela “Páginas da Vida”, que trazia Clarinha, uma menina com Down. Quase ao mesmo tempo, o então jogador de futebol Romário, hoje senador pelo PSB do Rio de Janeiro, fez diversas aparições na mídia com a filha, Ivy, que também tem Down, e passou a militar pela causa. “Foi aí que a sociedade percebeu que a síndrome não é o fim do mundo”, diz Estefânia Lima, membro do Grupo de Trabalho de Inclusão do Instituto Alana. No mesmo ano, a ONU organizou a primeira Convenção sobre os Direitos de Pessoas com Deficiência em Nova York. O evento ratificou a importância de mudar a abordagem. “O tratamento passou de médico para social”, diz Estefânia. “Antes, a ideia era a de que havia um ‘defeito’ a ser corrigido. Hoje, não mais. Focamos nas barreiras que precisam ser quebradas e nas adequações pelas quais a sociedade precisa passar.”

 (Foto: João Bertholini e Marco Aurélio)

Geração Millennial
O paulistano Pedro Brandão Carrera, 21 anos, também descobriu nas redes sociais uma forma de divulgar o que aprendeu na faculdade de gastronomia. Começou mostrando no Facebook o passo a passo de alguns pratos e, recentemente, criou o canal Comidinhas do Pepê no YouTube. “Gosto de cozinhar de tudo, mas massas e risotos são minha especialidade”, diz o chef. Mas isso se tornou apenas um passatempo. Pedro acabou de ser contratado por um dos bares mais tradicionais da Zona Oeste de São Paulo, como assistente de cozinha. Ele já havia feito estágio em dois restaurantes quando soube por um amigo que o Pirajá inauguraria uma unidade e mandou um currículo. Deu certo. Ficou tão feliz que, às voltas com a abertura da primeira conta bancária, passou a dizer onde vai empregar o salário. “Quero casar, ter dois filhos e pagar as contas da casa”, afirma.

Nascido em uma família que batalhou por sua inserção, cresceu rodeado de crianças que não tinham Down. Estudou na Escola da Vila, conhecida pela postura progressista e pelo trabalho de inclusão. Pedro rendia bem e tinha uma porção de amigos. Os problemas surgiram na adolescência, quando ele começou a se interessar pelas meninas da classe. “Ele só ficava com uma delas, que também tinha Down, mas não se conformava com isso. Virou uma questão”, afirma a mãe, a pediatra Ana Claudia Brandão, de 51 anos . Por isso, engajou-se em um grupo com viés terapêutico, focado na síndrome, onde eram discutidos temas como empoderamento, formas de estimular a independência, sexualidade e uso das redes sociais.  “Falavam que Pedro seria meu eterno companheiro, mas nunca aceitei essa ideia. Lutei para que ele tivesse autonomia e vida própria”, diz Ana Claudia. “Sempre desejei que fosse querido e tivesse grandes amizades. Por isso, fazia questão de ser ‘arroz de festa’ e o levava todas as vezes que convidavam.”

Fiquei muito feliz em ser modelo de uma campanha”
Samanta Quadrado, 28 anos

A surpresa aconteceu quando a escola alegou que o Ensino Médio seria complexo demais e Pedro – além de outros dois jovens Down – não poderia continuar. Apesar da insistência das famílias, a questão só foi pacificada com a interferência do Ministério Público, que entendeu que negar matrícula seria ilegal. “Houve muita conversa. Mas o mais difícil foi ter de lidar como se fosse uma briga”, lembra a diretora da escola, Vania Marincek. “No primeiro momento, não conseguimos pensar em como viabilizar a continuidade e propusemos que frequentassem a escola, mas não todos os dias, nem que ficassem o tempo todo em sala de aula.” Vania explica que o impasse aconteceu porque os três foram os primeiros com deficiência intelectual a concluírem o Ensino Fundamental no local. Pedro teve dificuldades no novo ciclo, mas com abordagens diferenciadas não desistiu e se esforçou até concluir os estudos. Acabou abrindo as portas para outros jovens seguirem o mesmo caminho. No meio do ano passado, formou-se em gastronomia no Senac. Concluiu o curso de dois anos em dois anos e meio, com a ajuda de uma tutora, fazendo provas orais e com conteúdo adaptado à sua capacidade de compreensão. “Foi mais difícil do que imaginávamos”, diz a mãe.

 (Foto: João Bertholini e Marco Aurélio)

A importância da educação
A bandeira da inclusão, empunhada pelas famílias a partir do final da década de 1980, abriu espaço para que crianças, jovens e adultos deixassem de ficar confinados em casa. Mas foi só a partir de 2006, com a Convenção da ONU, que foi pacificado no meio jurídico o entendimento de que a matrícula em escolas comuns no Brasil se tornou obrigatória, e não apenas preferencial, conforme se costumava interpretar da Constituição. “A legislação brasileira está entre as mais modernas do mundo”, diz a procuradora da República Eugênia Augusta Gonzaga, autora do livro Direito das Pessoas com Deficiência – Garantia de Igualdade na Diversidade. Ela lembra que, além de ser compulsório qualquer escola acolher alunos com deficiência intelectual, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em 2015, que as particulares não podem cobrar taxas extras. Ainda assim, os entraves são grandes. “É praxe colégios não recusarem a matrícula, mas dizerem: ‘Se fosse você, não colocaria seu filho aqui. Não estamos preparados para recebê-lo’”, alerta Eugênia.

Os pais de Bruno Lowenthal Kignel, de 23 anos, também desbravaram caminhos. “Optamos por olhar para o mundo de possibilidades e não para o carimbo no rosto”, lembra a mãe, a dentista Rosane Lowenthal, 50. Entre as oportunidades, Bruno encontrou­-se no esporte. Foi o primeiro a aprender a bater as perninhas na natação e entrou para o time de polo aquático do Clube Hebraica, em São Paulo. Primeiro como jogador, depois como assessor do técnico. “Como o polo é um jogo agressivo, ele entrava nas partidas mais fáceis. Começou a assessorar o técnico porque ficava no banco”, afirma Rosane. Bruno não se incomodou com a função. “Meu ponto forte é a educação física”, diz o rapaz. “Fui campeão paulista e brasileiro com o treinador. Também viajei para competições em Israel, Espanha e Uruguai.” São-paulino de coração, acompanha o time pela internet. Entre as biografias que leu, estão a do técnico de vôlei Bernardinho, a do ex-jogador de futebol Casagrande e a do ex-tenista Gustavo Kuerten.

Meu ponto forte é o esporte. Fui até campeão brasileiro”
Bruno Kignel, 23 anos

A inclinação para o esporte o levou a estudar educação física na Universidade Paulista (Unip). Deve concluir o curso, que dura quatro anos, em seis. Conta com o apoio de uma tutora e de provas adaptadas. Foi contratado pela Hebraica como estagiário. “Ele tem muitos amigos”, diz Rosane. Se vive alguma situação de exclusão ou preconceito, sai dela sozinho. Na adolescência, começou a frequentar baladas onde passou a se interessar por meninas que não tinham síndrome de Down. “Bruno sempre gostou de dançar, de música. Um dia não quis mais sair à noite. Mais tarde entendi que era porque as meninas não queriam ficar com ele”. Hoje, Bruno encontra os amigos nos esquentas das baladas e volta para casa sozinho. Está namorando Amanda, que também tem Down.

Assim como os pais de Bruno, os de Samanta Quadrado, 28 anos, preferiram não pensar nas limitações quando ela nasceu. “Foi como se abrissem um buraco e fôssemos até o fundo. Foi doído, comparações eram inevitáveis”, recorda a mãe, a dona de casa Denise Pacífico, de 52 anos, de São Paulo. “Mas conseguimos nos reerguer. Corremos atrás de estimulação precoce, escolinha, nutricionista.” A infância não foi fácil. “Ela não teve amigos e brincava basicamente com adultos e familiares”, diz a mãe. Com todas as dificuldades, Samanta aprendeu a ler e a fazer dança do ventre. Trabalhou em escritório, loja e editora. No ano passado, realizou um sonho: foi modelo da campanha #DonaDessaBeleza, da Avon, que valoriza a diversidade. “Fiquei tão feliz em participar!”, conta.

Ela teve a primeira experiência na mídia como integrante do filme “Colegas”, que conta as aventuras de três jovens com Down, e se apaixonou por um deles, o judoca Breno Viola, que também tem a síndrome. No set, fez amizade com a equipe e deu um jeito de ser convidada para um jantar onde ficou cara a cara com Breno. Deram o primeiro beijo. O namoro dura quatro anos. Os planos? “Esse é um assunto sério”, diz Samanta. “Estamos pensando em casar e morar sozinhos no Rio”, onde vive a família do namorado. Um sonho de muitos jovens, mas que, para ela, tem sabor especial de vitória.

Beleza: Carlos Rosa (capa mgt) / Produção-executiva: Vandeca Zimmermann

Educação inclusiva destaque no programa Giro de Notícias

Foto: R7.com

O programa Giro de Notícias, da UESB FM, destacou na manhã de hoje a Inclusão de crianças com Síndrome de Down no ensino regular. Confira o áudio dos dois blocos do programa.

1º Bloco

2º Bloco

Ele perdeu a jovem esposa e escreveu uma carta de arrepiar sobre a filha com Down

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Rory Feek perdeu muito cedo a sua esposa Joey, mas não permitiu que a dor o impedisse de continuar vivendo. Afinal, ele conta na vida com um presente de valor incalculável: sua filha Indiana, repleta de todo o carinho e alegria típicos das crianças que têm a Síndrome de Down.

Seis meses após o falecimento da esposa, Rory fez à filha e à mulher que tanto amara uma comovente homenagem, por meio de uma carta aberta. Eis o que ele conta ao mundo:

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Deus não comete erros.

Indiana não é inferior a qualquer outra criança. Diferente, mas não inferior. Ter a Síndrome de Down não torna a vida dela menos significativa do que a de qualquer outra pessoa, nem os sonhos e sentimentos dela menos importantes – nem agora, que ela é criança, e imagino que nem nos anos futuros, quando ela ficar adulta.

A Joey e eu conhecemos muitas crianças e bebês com a síndrome e com outras necessidades especiais. Eu tive a bênção de ver muitos deles na mesma escola da Indiana nos últimos meses e eles não são inferiores. Nenhum deles. Assim como todas as outras crianças, eles nascem com todas as formas e tamanhos. Alguns aprendem mais rápido, outros mais devagar. Alguns são silenciosos e outros falam mais. Alguns aprendem a caminhar mais cedo que os outros, e alguns, como a Indy, levam um pouco mais de tempo; no seu tempo.

Mas todos eles são lindos. Todos eles são presentes do céu.

Nos últimos anos, a Joey e eu vimos estatísticas que partiram o nosso coração. Elas ainda me doem. Entre 70% e 90% das mães grávidas decidem abortar quando ficam sabendo sobre a condição do seu bebê. O mundo nos diz que eles são menos. É um erro. Eu não acredito que eles sejam menos. Pelo menos eu sei que a Indiana não é. Quando ela nasceu, a Joey disse: “Esta é a criança que Deus quer que nós tenhamos”. E nós acreditamos.

E nós estávamos certos!

Eu não consigo mais imaginar a Joey sem ter sido a mãe dessa criança durante dois anos e sem ter experimentado a felicidade que a Indy trouxe para ela. Deus sabia. Foi Ele que fez assim. Foi o presente dele para ela. Assim como a Indy é o meu presente agora. Ela é o sorriso no rosto do pai que deveria estar chorando. Ela é a alegria na vida de uma família que poderia estar devastada pela tristeza.

Se você também tiver um bebê recém-nascido e descobrir que ele não era bem o que você esperava, saiba que, assim como nós, você vai perceber que ele não é inferior. Ele é mais. Mais maravilhoso e mais precioso e ainda mais importante para a nossa vida e para a nossa história do que esperávamos.

Não, Deus não comete erros

Identificação exagerada com princesas pode afetar autoimagem de meninas, mostra estudo

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A obsessão pela beleza inatingível das princesas pode aumentar a vulnerabilidade das meninas (Foto: 123RF)

Outro dia uma foto de uma menina vestida de cachorro quente ao lado de várias amigas ”princesas” circulou pela internet. O motivo do sucesso da imagem, além da fofura, é o fato de ser inusitada. São pouquíssimas as meninas que não passam pela fase “princesa”. Por mais comum que seja, no entanto, a identificação com essas mulheres perfeitas e idealizadas pode ser mais prejudicial para as meninas. É o que mostram alguns estudos, como um da universidade norte-americana de Brigham Young, divulgado recentemente, que aponta que espelhar-se nas princesas da Disney pode tornar as meninas pequenas mais suscetíveis a terem uma imagem negativa do próprio corpo, terem menos confiança e também menos autoestima. “Muitos pais pensam que a cultura das princesas da Disney é inofensiva. Mas o ideal seria os pais realmente compreenderem os impactos dessa cultura das princesas a longo prazo”, alerta a pesquisadora Sarah M. Coyne, autora da reveladora pesquisa que foi entitulada “Bonita como uma princesa: efeitos longitudinais da exposição à cultura das princesas da Disney nos estereótipos de gênero, auto imagem e comportamento social nas crianças”.

Para chegar a essa conclusão, foram analisadas a exposição de 198 crianças em idade pré-escolar à “cultura das princesas” em questão – seja por filmes, bonecas ou merchandise –, que depois associou-se às atitudes das mesmas. Percebeu-se que tal contato levou a um comportamento estereotipado no que diz respeito ao gênero feminino, sendo mais prejudicial para as meninas – os meninos não tiveram a autoimagem prejudicada e chegaram a se tornar mais solícitos.

Brinquedos de menina

A discussão em torno das princesas idealizadas da Disney não é nova. A própria pesquisa acima cita um estudo anterior como ponto de partida, o livro Cinderella ate my daughter (algo como Cinderela engoliu a minha filha, em livre tradução), da jornalista norte-americana Peggy Orenstein, que explica como a obsessão pela beleza inatingível pode aumentar a vulnerabilidade das meninas, mais para frente, a transtornos alimentares, depressão e até comportamento sexual de risco.

Nesse caso, as princesas não são as únicas vilãs. A Barbie, por exemplo, é frequentemente associada à idealização de um corpo feminino irreal e que não representa a diversidade de tipos físicos. Em 2006, um importante estudo foi publicado na revista científica “Developmental Psychology” confirmou o que já se imaginava: meninas que brincam com Barbie tendem a apresentar uma autoimagem ruim e mais desejo de emagrecer. Foi só quando suas vendas caíram em 20% (entre 2012 e 2014) que a Mattel (fabricante da Barbie) se moveu para mudar essa percepção. E, a partir daí, lançou bonecas Barbies com 4 biotipos diferentes (com curvas, baixinha, alta e “original”) e 7 tonalidades de pele, que começaram a chegar ao mercado brasileiro apenas este ano. Dentro dessa “evolução” da marca, como coloca a fabricante, surgiram também as bonecas representantes das mais diversas profissões, de veterinária a bombeiro. Isso porque outro motivo pelo qual começaram a receber críticas é um outro aspecto perverso dos brinquedos “com gênero”: eles tendem a limitar as escolhas profissionais das meninas. E qual o problema disso?

Para começar, os brinquedos que fazem distinção entre os gêneros afastam as mulheres da ciência. É o que demonstra uma pesquisadora de física experimental da Universidade de Cambridge, Athene Donald, vencedora do prêmio LÓreal-UNESCO para mulheres em ciência. Segundo a cientista, não só as Barbies, mas também as panelinhas, as bonecas e a maioria dos brinquedos tidos como de menina “não instigam a criatividade, o senso crítico e o desenvolvimento de habilidades motoras. Pelo contrário, são objetos atrelados à passividade, à vaidade e à subserviência.” Os brinquedos de menino, por outro lado, como os Legos, os jogos de química e as ferramentas geram mais oportunidades para a criança experimentar e ser exposta a brincadeiras que envolvam conhecimentos científicos. “Precisamos mudar a mentalidade dos pais e professores. O problema de como induzimos estereótipos de gênero em nossos filhos começa incrivelmente cedo. Tem gente que acha que o que uma criança faz aos quatro anos é irrelevante para suas escolhas futuras, mas não é“, afirmou Donald, em seu discurso de posse da Associação Britânica de Ciências.

Abaixo às princesas?

Isso não significa que você tem de jogar as Barbie e as fantasias de princesas da sua filha no lixo. “As princesas são modelos de pessoas admiradas. É por isso que as meninas querem ser princesas, porque elas são bonitas e também porque têm poder. Perceba como a maioria das meninas quer ser a Elsa e não a Anna, de Frozen, embora a segunda seja a protagonista”, aponta Patrícia Camargo, autora do blog sobre brincar Tempo Junto. Para ela, a saída é oferecer várias referências às crianças. “Cabe a nós, pais, estarmos próximos a nossas filhas e dar destaque ao que há de bom nessas fantasias, como os valores humanos, tal qual a solidariedade e a amizade, por exemplo”, completa. Assim, a aparência e a postura submissa de algumas dessas personagens ficará em segundo plano. Por último, ela reforça que não podemos ser “ditadoras” dos brinquedos. “Devemos deixar as crianças brincar com o que elas quiserem, sejam princesas ou carrinhos, e também incentivar as brincadeiras sem gênero”. Essa colocação vai ao encontro do que diz Coyne, a autora sobre o estudo da influência das princesas na autoestima: “O caminho é o da moderação. Envolva seus filhos nas mais diversas atividades, para que as princesas sejam apenas uma influência entre muitas”.

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Fonte: itMãe

“Procurando Dory”, na verdade, é um filme sobre deficiência intelectual – e isso é ótimo

Dory bebêReprodução | Pixar

Animação não é coisa só para criança, e a Pixar faz questão de deixar isso bem claro. A empresa vencedora de 8 Oscars, e consagrada como uma das apostas de Steve Jobs, adora mesclar temas sérios com desenhos bonitnhos. Wall-e, por exemplo, é uma forma lúdica de falar sobre poluição. Procurando Nemo, a história de um pai solteiro que atravessa o mundo atrás de seu filho que tem sequelas de um acidente, é uma grande trama sobre a superproteção e a aceitação da deficiência física. Procurando Dory não só continua essa tradição, como dá um passo à frente e trata de um assunto megacomplexo: a deficiencia intelectual.

O filme mostra Dory, a peixinha coadjuvante em Procurando Nemo, tentando entender um pouco sobre seu passado, e indo atrás de seus pais. A personagem ganha status de protagonista, e sua falta de memória – que foi combustível para diversas piadinhas no primeiro filme – começa uma roupagem mais séria. É aí que entra a grande sacada da continuação: a gente já sabe que um peixinho com deficiência física consegue atravessar o mundo e fugir de um aquário, mas e se o problema dele fosse cognitivo? Quais são os limites que esse tipo de deficit pode trazer? A Pixar encara de frente que a dificuldade de memorização é um problema complexo, que afeta milhões de pessoas. E que, se Dory fosse alguém de carne e osso, ela enfrentaria algumas dezenas de dificuldades todo santo dia.

Calma, isso não deixa o clima pesado, e as crianças não vão sair da sala de cinema chocadas. Na verdade, é tudo contado de maneira sútil e fofa – o que só deixa o resultado melhor ainda. A versão infantil de Dory é uma das coisas mais adoráveis do cinema recente. É pequena, é inocente, é divertida, mas não é irritante como um Minion que repete incansavelmente a palavra “banana”, até você desistir de ver o filme. Os diretores Andrew Stanton e Angus MacLane conseguem falar sobre isso do jeito mais delicado possível – é capaz que você saia do cinema e nem perceba que estavam falando sobre transtornos mentais, só sobre peixinhos carismáticos, e a trama é tão boa que já bastaria mesmo.

LEIA: Qual animação da Pixar você é?

O roteiro é extremamente construído, enquanto Dory não lembra o que aconteceu, você também não fica sabendo. E quando ela consegue recuperar a memória sobre determinado fato, um flashback aparece na tela, criando uma segunda linha temporal com clima de mistério. Faz jus à primeira temporada de True Detective. Tudo isso enquanto um monte de personagens novos são apresentados. Um mais divertido e interessante que o outro. Sem deixar de lado os bichinhos que já haviam se consagrado no primeiro longa, como a tartaruga Crush.

Mesmo parecendo tão maduro em discutir um tema tabu como esse, Dory tem um problema: o leão marinho Geraldo. Enquanto o longa apresenta diversos personagens que também tem transtornos – como o polvo Hank, que após ser mutilado desenvolve uma espécie de estresse pós-traumático, e o beluga Bailey, que tem sérios problemas de autoestima -, o único propósito de Geraldo, que claramente também tem algum deficit cognitivo, é servir de piada. O personagem fica completamente deslocado das ideias do filme, e fica no ar a dúvida se ele era mesmo necessário.

Além de uma aula sobre inclusão, o filme é, no fim das contas, bom pra caramba. Dá para rir com as piadinhas inteligentes – na versão dublada existem algumas sacadas pensadas exclusivamente para o público brasileiro -, dá para chorar com as frases de impacto acompanhadas de uma trilha delicadíssima, e, de quebra, os fãs do primeiro longa ainda entendem um pouquinho mais sobre baleiês. Se isso não bastar, vale a experiência de ir ao cinema só para lembrar que sempre dá para cantar “continue a nadar, continue a nadar, continue a nadar, nadar, nadar”.

Fonte: Revista Superinteressante

Mãe de menina com síndrome de Down rebate médico que sugeriu aborto: “Ela é perfeita”

sindrome-de-downSegundo a norte-americana Courtney Baker, o especialista disse que a criança dificultaria a qualidade de vida do casal. “A minha prece é para que nenhuma outra mãe tenha que passar pelo que passei”, disse na carta aberta, que já foi compartilhada milhares de vezes nas redes sociais

Mais de um ano após o nascimento da pequena Emersyn Faith, a norte-americana Courtney Baker decidiu que era hora de responder ao médico que tentou encorajá-la a interromper a gestação.

Emmy, como foi apelidada ao nascer, foi diagnosticada com síndrome de Down durante o pré-natal. Assim que a notícia foi dada aos pais, Courtney diz ter sido aconselhada pelo médico a abortar. “Ele disse que a nossa qualidade de vida e a dela seria horrível”, escreveu em seu perfil do Facebook.

Ainda tomada por esta lembrança, Courtney decidiu escrever 15 meses depois do nascimento de sua filha uma carta ao especialista. O conteúdo foi publicado na página Parker Myles, que destaca conteúdos inspiradores sobre crianças com Down, e já foi compartilhada milhares de vezes. “Ele estava tão equivocado”, disse ela.

A seguir, leia a carta na íntegra:

“Caro Doutor,

Uma amiga me disse recentemente que, quando seu especialista em pré-natal via o seu filho nas ultrassonografias, ele sempre comentava: ‘Seu filho é perfeito’. Assim que seu filho nasceu com síndrome de Down, ela visitou o mesmo médico. Ele olhou para o bebê e voltou a dizer: ‘Eu te disse. Seu filho é perfeito’.

Essa história me tocou profundamente. Apesar de eu estar feliz pela experiência da minha amiga, me enchi de tristeza ao pensar no que eu deveria ter feito. Gostaria que você tivesse sido este médico.

Te procurei no momento mais difícil da minha vida. Eu estava assustada, ansiosa e completamente perdida. Ainda não sabia a verdade sobre meu bebê, e era isso que eu precisava desesperadamente de você. Mas em vez de apoio e coragem, você nos sugeriu acabar com nossa filha. Eu te disse o nome dela, e você nos perguntou novamente se havíamos entendido o quão baixa seria nossa qualidade de vida com um bebê com síndrome de Down. Sugeriu que a gente reconsiderasse nossa decisão de seguir com a gestação.

Deste encontro em diante, nós passamos a temer nossa responsabilidade. O momento mais difícil da nossa vida se tornou quase insuportável, porque você nunca nos disse a verdade.

Minha filha era perfeita.

"Minha filha é perfeita" (Foto: Reprodução Facebook)

Não estou brava. Não estou amargurada. Só estou muito triste. Estou triste porque os corações minúsculos que você vê todos os dias não o enchem de admiração. Estou triste que os intrincados detalhes e o milagre daqueles pequenos dedos e pés doces, pulmões e olhos e orelhas nem sempre lhe dão uma pausa. Estou triste que você estava tão errado para dizer que um bebê com síndrome de Down iria diminuir a nossa qualidade de vida. E eu estou de coração partido por pensar que, ainda hoje mesmo, você pode ter dito a mesma coisa para uma mãe. Mas estou ainda mais triste porque você jamais terá o privilégio de conhecer a minha filha, Emersyn.

Porque, veja, Emersyn não só está dando mais qualidade à nossa vida, como também tocando os corações de milhares de pessoas. Ela nos deu um propósito e uma alegria que é impossível expressar. Nos deu sorrisos maiores, mais risadas e os beijos mais doces que já tivemos. Abriu os nossos olhos para a verdadeira beleza e o amor puro.

Assim, a minha prece é para que nenhuma outra mãe tenha que passar pelo que passei. Minha prece é para que você também veja agora a verdadeira beleza e o amor puro em toda ultrassonografia.

E a minha prece é para que, quando você se deparar com o próximo bebê com síndrome de Down, cuidadosamente escondido no ventre de sua mãe, você olhe para que mamãe, que me veja em seguida, e diga a verdade: ‘Seu filho é perfeito’”.

Em entrevista à ABC News, Courtney disse desconhecer o efeito que a carta possa ter surtido ao médico, mas espera que ele possa “ver a verdadeira beleza do amor puro em cada ultrassom”.

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