Como trabalhar alfabetização com as crianças com Síndrome de Down?

Foto: Canal Síndrome de Down Vivências Educativas

O tema de sua questão é bastante amplo, mas espero auxiliar-lhe fazendo algumas considerações que julgo como importantes.
O primeiro passo ao pensar em alfabetização é compreender e respeitar as diferenças individuais. Assim como há diferenças entre as crianças consideradas “normais”, há, também, diferenças entre as crianças com S.D.
Mas, podemos partir do princípio que as crianças com SD, comumente, apresentam dificuldades na aquisição de linguagem, que é essencial no processo de alfabetização.
Outras habilidades psicomotoras, como o esquema e imagem Corporal, percepção, coordenação motora, orientação espacial e temporal, lateralidade e atenção, são, também, requisitos no processo pedagógico, e podem estar limitadas na criança com SD. Desta forma, a prontidão para a alfabetização se torna imprescindível, e para isto, se faz necessário ter o conhecimento real do aluno, não só em suas limitações, como principalmente, de suas habilidades, ou seja, o seu potencial para o aprendizado.
Como qualquer criança, o conhecimento acontece, efetivamente, quando é prazeroso e desperte o seu interesse e, para isto, a situação lúdica é essencial.
As informações apresentadas devem ser graduais, uma vez que a criança com SD apresenta dificuldades em reter muitas informações, assim, para favorecer esta retenção, elas devem ser contextualizadas, e não fornecidas de modo isolado.
Devemos considerar, também, que o professor deve estar atento, constantemente, às reações comportamentais do aluno, ou melhor, às suas reações afetivas, valorizando suas conquistas e incentivando-o às novas.
Ainda, em sala de aula, proporcionar dinâmicas grupais onde se estimule a cooperação e interação entre os alunos e aceitação social da criança.
Durante o processo educacional, a interação da escola com a família é extremamente importante, pois permite que esta participe das atividades que o filho vem desenvolvendo, permitindo maior compreensão da criança e maior colaboração no seu desenvolvimento, minimizando, ainda, as suas dúvidas e ansiedade sobre o processo de alfabetização da criança.
A interação da escola, com os profissionais envolvidos com a criança, vem, também, contribuir para o seu desempenho escolar e desenvolvimento global (terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, psicopedagogo, psicomotricista, médicos, entre outros).

Dra. Vânia Aparecida B. Sanches
Psicopedagoga do CEPEC-SP

Programa Papo de Mãe – Síndrome de Down

O Aplicativo Elo 21 – uma ferramenta empoderadora

Se há uma constatação de fácil comprovação por qualquer pessoa que conviva com famílias de pessoas com síndrome de Down no Brasil, é a de que as Diretrizes de Atenção à Pessoa com síndrome de Down do Ministério da Saúde são desconhecidas pela absoluta maioria dos profissionais da saúde que nos atendem. Esses profissionais, por desconhecimento e (infelizmente em alguns casos, por desinteresse), não seguem o protocolo mínimo de atenção ali relacionado.

Infelizmente essa é a realidade quando falamos de protocolos e diretrizes de saúde para as pessoas com a Trissomia do 21, não apenas no Brasil, como também em outros países, como comprova pesquisa recentemente publicada sobre o tema:

http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0009922816685817

Na pesquisa acima referida e linkada, é possível constatar que, mesmo quando os profissionais da área da saúde conhecem as diretrizes e protocolos locais, não os usam por julgarem baixa a expectativa de efetividade. É mais ou menos como estabelecer a seguinte máxima: diagnosticar e tratar a apneia do sono, por exemplo, vai “resolver” a síndrome de Down? Não. Então pra quê tratar?

É mais ou menos isso. Como se a qualidade de vida das pessoas com síndrome de Down não importasse, já que elas têm síndrome de Down mesmo. Revoltante!

Em um quadro como este, o empoderamento da família e da própria pessoa com síndrome de Down através de informações sobre os seus direitos na atenção à saúde é crucial, pois, de posse de tais informações, a família ou a própria pessoa pode exigir do sistema público de saúde todos os exames e procedimentos previstos na citada Diretriz.

Assim, se está lá escrito que tem que avaliar a função tireoidiana ao nascimento, então o SUS deve garantir os exames laboratoriais. Os Planos de Saúde também. Os médicos, mesmo os particulares, devem requerê-los. Leia mais

Modelo com Síndrome de Down compete em concurso de Miss nos EUA

Mikayla Holmgren, de 22 anos de idade, de Stillwater, Minnesota, deu um exemplo de superação no último domingo e fez história tornando-se a primeira pessoa com Síndrome de Down a competir em um concurso Miss nos Estados Unidos.

Além de ter tido a chance de participar da competição do estado onde mora, a modelo também voltou para casa com dois prêmios: o Spirit of Miss USA Award e o Award do Diretor! “Eu fiquei muito chocada e emocionada, pois fui de concursos para pessoas com necessidades especiais para o maior concurso do mundo”, afirmou.

Mikayla não é estranha a se apresentar na frente das multidões, tendo feito dança desde os seis anos de idade, mas o desfile do concurso foi, de longe, o seu maior desafio.

Quando não está roubando a cena em concursos de beleza, a modelo é embaixadora da Best Buddies, uma organização sem fins lucrativos que visa melhorar a vida de pessoas com deficiências intelectuais e de desenvolvimento.

“Quero poder mostrar aos outros o que é a inclusão e que alguém com necessidades especiais pode seguir seus sonhos” – disse a jovem.

Fonte: Isto É

Dicas para estimular crianças com síndrome de Down a escrever

Muitas crianças com síndrome de Down têm dificuldade para escrever. A hipotonia, ligamentos mais frouxos e falta de força nas mãos contribuem para isso. Há diversas maneiras de preparar a criança para essa tarefa, e que também contribuirão para outras que a levarão à autonomia, como vestir-se sozinho, por exemplo. Veja abaixo algumas dicas, que servem tanto para a escrita em letra bastão ou cursiva, assim como para o desenho:

ANTES DE ESCREVER:
– Escrever com letras grandes na areia. Passar a mão por cima, caminhar por cima das letras.
– Desenhar e fazer linhas e círculos com esponjas e pincéis num papel grande, jornal, quadro ou cavalete.
– Colocar contas num fio – começar com contas maiores, e ir diminuindo o tamanho e a espessura do fio, conforme a criança for melhorando a habilidade.
– Colar adesivos em lugares definidos – também no começo maiores, e ir reduzindo com o tempo.
– Andar na posição carrinho de mão – com as mãos no chão e alguém segurando os pés, para desenvolver a força muscular dos ombros e braços.
– Fazer construções com Lego.
– Fazer castelos com areia molhada.

QUANDO A CRIANÇA JÁ ESTIVER COMEÇANDO A ESCREVER
– Desenhar linhas em labirintos impressos no papel.
– Escrever no ar.
– Dizer para a criança para escrever rápido e não se importar com a letra. Com o tempo e a repetição, a grafia vai melhorando.
– Tão logo possível, começar a ensinar a criança a escrever palavras, que despertam mais interesse do que simples letras.
– Permitir que a criança fique em uma posição confortável para ela, pelo menos de início. Algumas crianças procuram apoio da outra mão ou até do queixo ou da bochecha para firmar o lápis. Com o tempo ela vai encontrando seu próprio jeito.
– Usar canetas com tinta lavável pra ficar mais fácil de limpar a bagunça
– Sempre dizer para a criança escrever algo à mão livre também, não apenas exercícios e tracejado, porque é lá que queremos chegar.
– É importante elogiar o trabalho, mesmo quando ele não está muito bom.
– Tudo bem se o trabalho não ficar muito bom no começo, porque, com o tempo e a prática, as letras vão tomando uma forma mais consistente, tornando-se a escrita pessoal de quem escreve.
– Quadros brancos com pincéis atômicos são mais fáceis para escrever.

Lápis e canetas mais grossos são mais fáceis de usar. Foto: Paula Moreira Fotografia
Canetas mais grossas são mais fáceis de usar.
Foto: Paula Moreira Fotografia

– Lápis e canetas mais grossos são mais fáceis de usar.
– Usar pedaços bem pequenos de giz também é bom para desenvolver o movimento de pinça com os dedos.
– É importante o assento estar numa altura adequada em relação à mesa e que, para melhorar a estabilidade, os pés fiquem pousados no chão ou em um repouso para os pés (pode ser um banco, um pedaço de madeira ou alguns livros grossos envolvidos em papel).
– Procure bons motivos para a criança escrever, como por exemplo um cartão de aniversário, lista de supermercado, uma relação de seus brinquedos favoritos.
– A hipermobilidade, comum em crianças com síndrome de Down, é mais um fator complicador que dificulta a escrita.
– Uma carteira inclinada, daquelas de antigamente, é melhor para a escrita do que uma mesa plana.

APOIO
– Algumas crianças se beneficiam de adaptações no lápis ou que ajudem o punho ou braço a permanecerem na posição para escrever.
– Lápis triangulares são mais anatômicos .
– Enrolar um elástico de borracha, ou mesmo esparadrapo, no lápis, para que fique mais “gordinho”, pode ser favorável.
– Ajudar colocando a mão sobre a mão da criança. Fique por trás dela, para que entenda a posição correta para escrever.
– Segurar levemente a mão, cotovelo ou braço, até ela conseguir permanecer na posição sozinha.
– Dirigir o traçado corrigindo levemente a empunhadura da mão da criança.
– Dirigir oralmente o desenho ou a escrita da letra (faz um traço, um círculo, uma barriga…)
– Sentar-se ao lado dela, fazer a posição de segurar o lápis e dizer para ela fazer a mesma posição.
– Mostrar fotos de crianças empunhando o lápis corretamente.
– Interromper o desenho antes que ela comece a rabiscar muito o papel.
– Usar pincel atômico largo dá estabilidade e a criança fica feliz em conseguir tracejar mesmo sem ter força na mão.

MOVIMENTOS
Os movimentos são o mais importante para aprender a escrever – e não o resultado. Assim, uma criança não deve ser obrigada a copiar ou tracejar as letras (seguir pontinhos com o lápis). Escrever não é desenhar. Se a criança aprende o movimento para escrever, sua letra irá gradualmente desenvolvendo a fluência e legibilidade. Por isso é importante que, para cada letra, o professor comece a ajudar o aluno colocando sua mão sobre a mão dele e reduzindo gradualmente a orientação até que a criança ganhe mais confiança.

Exemplo de letra cursiva facilitada. Imagem: blog Educar para a Vida
Exemplo de letra cursiva facilitada.
Imagem: blog Educar para a Vida

FALTA DE COORDENAÇÃO
É importante lembrar que não ter coordenação adequada não impede a criança de começar a escrever.

OUTROS RECURSOS:
– Letras cortadas de revistas
– Carimbos de letras
– Letras de plástico
– Letras adesivas
– Decalque de letras (daqueles que passamos a caneta por cima e a letra aparece, ou os que são transferidos para o papel com água)
– Letras magnéticas
– Letras de massinha
– Letrinhas de macarrão de sopa de letrinhas
– Letras de gel
– Letras recortadas em lixa, que ajudam também a desenvolver a noção espacial da letra através do tato

EXEMPLOS DE EXERCÍCIOS

Exemplos de exercícios pra treinar letra cursiva. Fonte: Goodoc.net
Exemplos de exercícios para treinar letra cursiva.
Fonte: Goodoc.net

Um filho com T21: não é simples, mas pode ser perfeito

A Trissomia entrou nas nossas vidas ainda na fase final da gravidez e, desde então, nem tudo tem sido cor-de-rosa, mas asseguro que a nossa filha deixou o nosso pequeno mundo muito mais colorido.

Receber a notícia de que a nossa menina era portadora de um cromossomo extra foi avassalador, duvido que alguém consiga passar por isso com a serenidade que o momento exige. Tê-la foi, sem dúvida, a melhor decisão. Vivemos um sufoco muito grande até a ter nos braços, mas quando a vi, tive a certeza de que seríamos felizes. Hoje arrependo-me tanto das lágrimas que desperdicei! Mas chorar faz parte do processo de aceitação. Somos mães e pais e a perspectiva de que as coisas podem não correr tão bem quanto tínhamos idealizado dói e assusta. Afinal, só queremos o melhor para os nossos filhos.

A nossa filha cresceu, já fez nove meses, tem os olhos mais doces que alguma vez vi, é tranquila, muito curiosa e observadora, é persistente e já vai fazendo algumas malandrices. Com o nascimento dela aprendemos a viver um dia de cada vez, aprendemos a celebrar cada pequeno passinho como se fosse a maior das vitórias e, sobretudo, passámos a usar melhor o nosso tempo, investindo-o nela o mais possível. Por outro lado, criou em nós uma ansiedade inconsciente, pois começamos a aperceber-nos que as metas nem sempre são fáceis de alcançar. O respeito pelo ritmo de uma criança com Trissomia é uma aprendizagem muito grande, pois se vivermos obcecados com comparações, entramos em desespero. Já aconteceu acharmos que ela não vai conseguir e, de repente, somos surpreendidos. O importante é nunca desistir! Leia mais

Síndrome de Down – Turminha da Graça 2017

Zan Mustacchi fala sobre chance de aumento da incidência de TOC na síndrome de Down

Filho de imigrantes egípcios, Zan Mustacchi nasceu em Israel, onde viveu sua infância em meio a uma situação política delicada. Quando se mudou para o Brasil talvez não sonhasse em se tornar uma das principais referências quando o assunto é síndrome de Down. Médico geneticista e pediatra, ele fala com carinho especial das crianças que nascem com essa alteração cromossômica. Defende o máximo de autonomia possível e desfaz, com ênfase, alguns mitos a respeito da síndrome.

Entre eles, a falsa afirmação de que as pessoas com Down não conseguem aprender. “Pois é justamente o contrário. Elas aprendem muito bem, mas têm grandes dificuldades em esquecer o que aprendem. Costumo dizer que aprendem e não desaprendem. Isso pode se tornar um problema, pois se aprenderem errado terão dificuldade em esquecer. Essa questão explica por que há grande incidência de TOC (transtorno obsessivo compulsivo)”, explica, ressaltando que elas assimilam e criam uma rotina em cima desse aprendizado, transformando a ação num processo repetitivo.

Entre outros títulos e atividades, Mustacchi é doutor e mestre pela Universidade de São Paulo; vice-presidente do Departamento Científico de Genética da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP); responsável pelo Ambulatório de Genética do Hospital Infantil Darcy Vargas (HI DV); diretor clínico do Centro de Estudos e Pesquisas Clínicas de São Paulo (Cepec-SP); membro da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD); do Departamento Científico da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e do Down Syndrome Medical Interest Group (DSMIG), além de presidente do Instituto Ibero-Americano de Pesquisas e Diretrizes de Atenção à Síndrome de Down (IPDSD). Leia mais

SD: Dicas para alimentação de seu bebê

Uma das melhores fases é quando os bebês são liberados pelos seus pediatras para tomar suquinhos, comer frutinhas e assim por diante. Mas nem sempre esse processo é fácil, minha filha mais velha Sarah aceitou tudo muito bem desde o início, já com Yasmin demorou um pouco mais, mas o segredo é NÃO DESISTIR, pois foram quase 2 meses de insistência que já estão sendo recompensados! Por favor, persistam no que é saudável e faz bem, a alimentação do seu filho hoje vai definir como ele vai ser AMANHÃ. Sarah tem 2 anos nunca comeu um chocolate, adora frutas e ama verduras, quem a conhece que não me deixe mentir. Hoje com 9 meses alimentação da Yasmin é baseada em frutas e verduras sempre produtos frescos, estou seguindo a mesma linha da irmã, e ela ja está adorando.

Agora mamães que tem filhos com Síndrome de Down FICA A DICA: os principais alimentos que o Dr Zan Mustacchi (Diretor Clínico do CEPEC-SP, Especialista em Síndrome de Down) sempre fala são: peixes: sardinha, ostras, o micro peixe IRIKO, alimentos com Zinco como ostras, sardinhas, nozes sementes de girassol, abóbora, caju, pois melhoram a IMUNIDADE, feijão AZUKE rico em l carnitina, triptofano que tem na semente de cacau pois é rico em seratonina.

Tubérculos provocam constipação intestinal, assim como LEITE DE VACA devido a proteína. EVITAR arroz branco pois baixa o zinco e carne vermelha pois provoca envelhecimento precoce. Portadores de SD possuem um envelhecimento precoce, é aí que entra a importância da TAURINA. Fazer a gelatina com energético e oferecer todo dia pela manhã. Mais informações e receitas no site do Zan Cepec.

Espero ter ajudado, são informações simples mas que ás vezes fazem a diferença!

www.facebook.com/sorrindocomyasmin

Pais ativos ou passivos? A escolha é nossa

A importância dos Pais na vida e crescimento de uma pessoa  diferente: a importância de fazermos escolhas e aprendermos desde o momento do nascimento:

Não vou aqui focar o que sentimos quando soubemos que o nosso filho tem  T21, uns pais souberam antes do bebé nascer e tomaram a opção de o trazer ao mundo, muitos outros apenas souberam após o nascimento. Mas sem dúvida todos passamos por uma série de fases, mais ou menos dolorosas, mas todas difíceis até chegarmos à aceitação plena do nosso bebé.

O que fazemos com este nosso filho diferente é que vai fazer toda a diferença na vida dele e na nossa.  As escolhas são muitas, diárias, mas a nossa postura resume se basicamente a uma de duas opções:

  • 1. Termos um comportamento passivo perante a diferença, aceitamos e adoramos este nosso filho com todas as suas limitações, aceitamos que nos digam que o nosso filho tem limitações e que há limites até onde chegar, ajudamos da melhor maneira a criança a funcionar no mundo, tendo sempre presente que ele não é igual aos outros,  estamos determinados a proteger os nossos filhos de tudo, de serem vitimizados por um mundo que explora a fraqueza individual. Esta abordagem é fatalista e condescendente.
  • 2. Termos um comportamento ativo perante este nosso filho diferente. Esta abordagem é mais otimista sobre as capacidades da criança, diferente das crenças que a sociedade tem sobre as suas limitações e o seu papel no mundo. Esta abordagem acredita em não estabelecer limites prévios, acredita na modificabilidade do cérebro da criança e que com investimento em  trabalho, esforço, paciência, consistência e uma enorme capacidade de amor, não há limites para que os nossos filhos podem fazer, e a nossa crença nesse caminho dá-nos a força para continuarmos sempre, por muitos espinhos que encontremos pelo meio.

Por vezes é muito difícil mantermos esta atitude ativa, é nos dito vezes sem conta por profissionais para não esperarmos mais, que há limites definidos por determinados parâmetros e que o nosso filho daí não evolui. Ou seja, que há um “teto” inultrapassável, e que, quando não concordamos somos apelidados de loucos, ou que ainda não aceitamos que temos um filho deficiente.

A atitude passiva, de muitos pais e técnicos, acredita que os nossos filhos são treináveis, após fazerem vezes sem conta a mesma coisa, esta fica “gravada” no cérebro. A atitude ativa acredita que é possível ensinar os nossos filhos a pensar, a raciocinar, sim raciocinar. A aprenderem técnicas para avaliarem informação, a processar, a questionar, a verificarem resultados, em suma a  raciocinar! Será essa capacidade que lhes vai dar ferramentas para fazerem escolhas, escolhas essas que lhes vão permitir tomar opções, escolher caminhos, realizarem sonhos, terem uma vida autônoma e realizada. Eles utilizaram essas técnicas dentro da sala de aula, em exemplos do dia a dia, em situações criticas diferentes das para que foram treinados, e onde têm de pensar.

Para os nossos filhos terem uma vida autônoma temos de os ensinar a pensar, e isso faz se desde que nascem. Desengane se quem pense que o processo de autonomia se faz aos 10, ou na adolescência, todas as sementes têm de ser plantas até então.

Este maneira de ver a aprendizagem pode ser utilizada com as diferentes abordagens teóricas ou técnicas a que eles são sujeitos no dia a dia, terapias da fala, desenvolvimento cognitivo, terapia ocupacional ou fisioterapia, não tem a ver com a formação em si, mas em como se passa o conhecimento aos nossos filhos, em como criamos novas sinapses no seu cérebro, no fundo em como pomos a plasticidade do cérebro em ação!

O nosso papel como pais funciona como MEDIADORES — o que faz a diferença não é apenas como se passa a informação, mas o  modo como ela é passada. Podemos ver através de vários exemplos a diferença entre uma atitude passiva e uma atitude ativa.

INTERVENÇÃO PRECOCE
#PASSIVA
Pais que poem brinquedos pelo chão para o bebé brincar.
Sabem que o filho apenas diz palavras soltas aos 3 anos, os pais colocam-no no infantário com crianças mais novas, que não falam, para a criança não se sentir frustrada
Sabem que o filho com 3 anos ainda usa fraldas, os pais continuam a utilizá-las e colocam-nos numa sala onde as crianças utilizem fraldas e não sejam ensinadas a larga-las.
“nós percebemos o que o nosso filho diz, já é uma maravilha ele falar”

#ATIVA
Pai que leva o brinquedo ao alcance do bebé, que faz um som e que ajuda a criança a mexer no brinquedo
Sabem que o filho com 3 anos não sabe construir frases, inserem-no numa sala com crianças que saibam falar, sabendo que ela irá beneficiar a interação com modelos.
Sabem que o filho ainda usa fraldas e fazem questão de os inserir numa sala de aula onde se promova o treino das esfinges.
“toda a gente tem de perceber o que o nosso filho diz, não basta sermos os únicos a compreendê-lo”

ESCOLA PRIMÁRIA
#PASSIVA
Pais escolhem escolas onde hajam salas multideficiência e permitem que os seus filhos passem o dia lá inseridos, acreditando que aprendem mais que numa sala de aula e não sofrem de bullying.
Professor dá ênfase apenas a tarefas de aprendizagem concretas.
Professor escolhe ensinar de um modo lento – para toda a turma.
Professor evita ensinar novas matérias, porque é frustrante trabalhar com uma criança diferente.

#ATIVA
Pais escolhem para o seu filho uma escola de ensino regular, onde lhe sejam garantidos os seus direitos a uma total inclusão. Serão feitos esforços no sentido da criança participar no maior numero de atividades comuns.
Professor introduz tarefas concretas e abstratas.
Professor ensina toda a turma à mesma velocidade, tendo especial atenção se a criança com diferenças consegue seguir o que está a ser ensinado – estes precisam de estímulos para evoluírem.
Professor introduz nova matéria de modo à criança com diferença não se sentir frustrada e motivada a trabalhar.

LICEU
#PASSIVA
Professor considera que alunos diferentes devem ser afastados das disciplinas que requeiram treino acadêmico, ser inseridos em salas multideficência, e preparados para executar tarefas meramente vocacionais.
Treinadores envolvem os alunos diferentes em treinos especiais, como para a olimpíadas para-olímpicas.

#ATIVA
Professor não retira o aluno da sala de aula de um programa acadêmico enquanto o aluno estiver motivado e a fazer progressos, ajudando-o a compreender as novas matérias. Na escola vão sendo introduzidas matérias pé vocacionais, que ajudem o jovem a fazer escolhas futuras, não descurando o aprender teórico.
Treinadores envolvem alunos diferentes em todas as atividades desportivas, com os demais alunos.

PERÍODO VOCACIONAL
#PASSIVA
Não pode trabalhar com máquinas – apesar de gostar e querer – porque é muito perigoso.
Tem de fazer tarefas apenas mecânicas, que exijam treino.
Não pode andar de transportes públicos, porque se pode perder, ou ser mal tratado.

#ATIVA
Pode trabalhar com máquinas, se tiver sido ensinado todos os perigos inerentes a esse tipo de trabalho, e se efetivamente se verificar que compreendeu todos os perigos inerentes à tarefa.
Tem de ser ensinado a fazer tarefas intelectuais, aliás se o enfoque na educação prévia tiver tido esse não há razão para que esse caminho lhe seja cortado.
Tem de ser ensinado desde muito novo a pensar, em como reagir a situações novas e imprevistas, de modo a não ser perigoso andar sozinho na rua.

VIDA INDEPENDENTE
#PASSIVA
Não pode andar de autocarro ou transportes públicos  porque não sabe contar dinheiro.
É colocado numa instituição a tempo inteiro, ou durante o dia onde executa pequenas tarefas.

#ATIVA
O investimento em se ensinar esse tipo de comportamentos é essencial. A utilização da leitura ou da matemática tem de ser ensinada num contexto prático, não apenas teórico. E o caminho para a autonomia começa desde muito cedo.
É colocado num apartamento com supervisão, onde vai aprender a viver independente – tanto o quanto as suas capacidades o permitam.

Como vai ser o seu papel de Pai?
Está nas nossas mãos fazer esta escolha desde o momento em que os nossos filhos nascem, a legislação portuguesa permite muitas das opções referidas. O caminho não é fácil, surgem muitas dúvidas, mas cada vez mais temos oportunidades de aprender, de fazer diferente, de sermos um veiculo para os nossos filhos sonharem e voarem!

Em próximos temas falarei de como podemos ser MEDIADORES,  de como podemos ajudar, através de exemplos concretos os nossos filhos no dia a dia, desde o momento em que nascem, e com essas ferramentas, o que podemos exigir dos técnicos que os acompanham.

Não podemos esquecer nunca que quem melhor conhece o nosso filho somos, nós e que com as ferramentas e o nosso investimento o céu é o limite!

Teresa Duarte Ferreira, Pais21
Baseado na metedologia de Reuven Feuerstein, “If you love me don´t accept me as I am”

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