Leitura e escrita na síndrome de Down

leituraescritaPor Zeildes Pereira de Paiva

• “Buckey (1992) apoia-se na tese de que a linguagem escrita é o método para ensinar a linguagem oral para crianças com síndrome de Down. Isto por apresentarem deficiência na memória de curto prazo, de maneira que a escrita subsidiará a linguagem oral e a cognição. ”A aquisição da linguagem escrita possibilita um novo desempenho no desenvolvimento do sujeito, permitindo o controle pelo sistema complexo de signos e uma instrumentalização ao pensamento, ampliando assim a capacidade de memória, por meio dos registros das informações.
• Para Vygotsky (2003, p.140), a linguagem escrita é “um sistema particular de símbolos e signos cuja dominação anuncia um ponto crítico em todo o desenvolvimento cultural da criança”. Portanto, para este autor, a linguagem escrita é um sistema de código, organizadora do pensamento, a partir da prática cultural, funcional e instrumental. A elaboração da linguagem escrita não está na simplificação da habilidade motora e, menos ainda, no simples processo de decodificação, que comumente é trabalhado dentro de uma realidade de fazer associação entre unidades desprovidas de significado (soletrar). O ideal é adaptar o meio à criança através de ferramentas adequadas a sua realidade sócio cultural.
• A criança com síndrome de Down, devido à trissomia no cromossomo 21, traz deficiências em alguns processos das Funções Psicológicas Básicas, como: atenção, percepção, sensação e memória além de algumas deficiências em processos cognitivos como linguagem, fala e memória auditiva de curto prazo, além de dificuldades no desenvolvimento motor. É importante ressaltar as consequências relacionadas à hipotonia (baixo tônus muscular), que favorece a fadiga e o desequilíbrio, desencadeando a atenção reduzida e alteração na coordenação motora grossa e fina, o que influenciar na linguagem escrita; traz ainda o carimbo de preconceitos e rejeições adotados pelo modelo clínico (ALVESMAZZOTTI, 1994; SILVA, KLEINHANS, 2006; VOIVODIC, 2004)• Por outro lado, a criança com síndrome de Down apresenta habilidades de processamento visual mais desenvolvida do que aquelas referentes às capacidades de processamento da memória auditiva (LARA, TRINDADE, NEMR, 2007
• Observa-se, assim, que a criança com síndrome de Down quando estimulados seus potenciais, como memória visual e memória de longo prazo, terá um bom desenvolvimento na aquisição da linguagem escrita.
• Para esses autores, os professores se baseiam na linguagem verbal para ensinarem a linguagem escrita e isso tem consequência na demora do ensino da leitura, como se a fala fosse um pré-requisito para aquisição leitura e/ou linguagem escrita. As pesquisas desenvolvidas com crianças com síndrome de Down mostram que o processo pode ser ao contrário, ou seja, ensinar a leitura e a escrita possibilita enriquecer o repertório e isso ajudará na sua linguagem oral. “
Pré-requisitos para a linguagem escrita:
• Esquema corporal
• Coordenação ampla, fina e viso motora
• Orientação espacial e temporal (em cima, embaixo, sobe , desce)
• Equilíbrio estático e dinâmico
• Lateralidade (destro ou canhoto)
Algumas orientações:
• Olhar nos olhos (estímulo visual)
• Dar informação curta e breve
• Dar informação visual e reforçar com a informação auditiva clara e objetiva
• Usar apoio de pé
• Usar agenda visual (quadro de tarefas diárias)
• Usar letras móveis (escrita divertida)
• Usar o próprio corpo da criança e seu movimento como auxiliar no processo de entendimento e formação das letras (ex: a letra i tem um ponto na ‘cabeça, ou caminhar sobre uma corda com o formato da letra desejada, são alguns exemplos práticos)
• Usar o som das letras ( método da Adriana Alcântara: “Sons e Gestos que Alfabetizam”)

Zeildes Pereira de Paiva é graduada em Terapia Ocupacional pela Universidade Estadual do Pará.
Especialista na área da saúde pública e Reabilitação Integrada em Neurologia.
Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade Federal do Amapá.

Trabalho de pesquisa original: A mediação da Terapia Ocupacional, junto às professoras nos pré-requisitos da linguagem escrita das crianças com síndrome de Down, na perspectiva da inclusão.

http://www2.unifap.br/ppgmdr/files/2011/07/A-MEDIA%C3%87%C3%83O-DA-TERAPIA-OCUPACIONAL-JUNTO-%C3%80S-PROFESSORAS-NOS-PR%C3%89-REQUISITOS-DA-LINGUAGEM-ESCRITA-DAS-CRIAN%C3%87AS-COM-S%C3%8DNDROME-DE-DOWN-NA.pdf

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